Saúde e Bem-estar

Com a carteirinha de vacinação em dia

O calendário de vacinas é dividido por faixas etárias, com doses recomendadas para diferentes fases da vida

Com a carteirinha de vacinação em dia

Uma picadinha de agulha dói, mas vale a pena quando se trata de ganhar imunidade contra vários tipos de doenças ao longo da vida. “As vacinas ajudam a reduzir a disseminação de doenças e desenvolvem a resistência do corpo”, explica Isabella Ballalai, presidente da Comissão da Revisão de Calendários e Consensos, da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a adequada vacinação impede entre 2 e 3 milhões de mortes no mundo por ano. “A grande maioria das vacinas está disponível na rede pública de saúde, principalmente as recomendadas para crianças. É importante tomar todas para a completa imunização”, alerta Isabella. Ser imunizada nas idades indicadas no calendário também é importante.

Mas quem não tomou uma determinada vacina quando era criança pode recebê-la mesmo depois de adulto, se não houver limitação de idade – a pneumocócica, por exemplo, é indicada para menores de 5 anos e maiores de 60. “Já para quem esqueceu de tomar a segunda ou a terceira dose, não precisa tomar tudo de novo. É só continuar de onde parou”, ressalta Isabella.

Sim, existem reações às vacinas, como dor no braço, febre e vermelhidão no local da picada, mas isso é normal. “A vacinação implica num processo inflamatório que pode levar a essas reações”, detalha Isabella.

Vale prestar atenção às contraindicações para cada vacina, principalmente gestantes, pessoas com imunodepressão ou com algum tipo de alergia. “Nesses casos, vale consultar um médico antes da imunização”, pontua.

Para não perder nenhuma dose e ficar em dia com a sua saúde, fique atenta ao calendário. Abaixo você encontra mais informações sobre as vacinas e as datas indicadas em cada fase da vida:

CRIANÇAS

Ao nascer:

  • BCG: imuniza o bebê de formas graves de tuberculose
  • Hepatite B: primeira dose da vacina que previne a doença

 

2 meses:

  • Hemófilos tipo b: imuniza contra a bactéria que causa meningite, sinusite e pneumonia
  • Hepatite B: segunda dose
  • Pneumocócica conjugada: protege de bactérias que causam doenças como meningite, pneumonia e sinusite
  • Poliomelite: protege contra a paralisia infantil
  • Rotavírus: combate o vírus que causa gastroenterite
  • Tríplice bacteriana (DTP ou DTPa): protege a criança contra difteria, tétano e coqueluche

 

3 meses:

  • Meningocócica conjugada: protege a criança de bactérias que causam meningite

 

4 meses:

  • Hemófilos tipo b: segunda dose
  • Pneumocócica conjugada: segunda dose
  • Poliomelite: segunda dose
  • Rotavírus: segunda dose
  • Tríplice bacteriana (DTP ou DTPa): segunda dose

 

5 meses:

  • Meningocócica conjugada: segunda dose

 

6 meses:

  • Hemófilos tipo b: terceira dose
  • Hepatite B: terceira dose
  • Influenza: protege a criança contra a gripe
  • Pneumocócica conjugada: terceira dose
  • Poliomelite: terceira dose
  • Rotavírus: terceira dose (dependendo do fabricante, apenas duas doses são necessárias)
  • Tríplice bacteriana (DTP ou DTPa): terceira dose

 

7 meses:

  • Influenza: segunda dose

 

9 meses:

  • Febre amarela: primeira dose

 

12 meses:

  • Hepatite A: primeira dose da vacina que previne a doença
  • Meningocócica conjugada: reforço
  • Pneumocócica conjugada: reforço
  • Tríplice viral: protege a criança de sarampo, rubéola e caxumba
  • Varicela: vacina que imuniza a criança contra a catapora

 

15 meses:

  • Hemófilos tipo b*: reforço
  • Meningocócica conjugada: reforço
  • Pneumocócica conjugada: reforço
  • Poliomelite*: reforço
  • Tríplice bacteriana (DTP ou DTPa): reforço
  • Tríplice viral: segunda dose
  • Varicela: segunda dose

 

18 meses:

  • Hepatite A: segunda dose
  • Influenza: reforço anual

 

2 anos:

  • Influenza: reforço anual

 

4 anos:

  • Influenza*: reforço anual
  • Poliomelite*: reforço
  • Tríplice bacteriana: reforço

 

5 anos:

  • Influenza*: reforço anual
  • Meningocócica conjugada*: reforço

 

6 anos:

  • Influenza*: reforço anual

 

9 a 10 anos:

  • Febre amarela: reforço.
  • HPV*: previne a maioria das lesões anais pré-cancerosas e câncer de colo de útero, no caso das meninas. São três doses.
  • Influenza*: reforço anual.

 

* As vacinas não fazem parte do Programa Nacional de Imunizações, que oferece a dose gratuitamente nos postos públicos de vacinação.

 

ADOLESCENTES e ADULTOS

  • Difteria, tétano e coqueluche: é também chamada de Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto. Homens e mulheres que estiverem com a vacinação básica para tétano completa devem reforçar com dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto), a cada dez anos. A vacina, disponível apenas na rede particular, também é indicada para gestantes. Se a vacinação estiver incompleta, deve receber uma dose de dTpa e completar a vacinação básica dT (dupla bacteriana do tipo adulto – disponível nos postos de saúde).
  • Febre amarela: indicada para residentes ou viajantes (mulheres e homens) para áreas com recomendação da vacina (de acordo com o Ministério da Saúde). O reforço deve ser feito a cada dez anos. É contraindicada na gravidez e durante a fase de amamentação.
  • Hepatites A, B ou A e B: homens e mulheres não vacinados na infância para hepatites A e B devem receber as doses o quanto antes contra essas infecções. Para Hepatite A (apenas na rede particular), são duas doses com intervalo de seis meses entre elas. Deve ser tomada fora do período de gestação, mas é recomendada para as futuras mamães em caso de risco de contaminação. Já para Hepatite B (disponível na rede pública para mulheres de até 49 anos), são três doses, com intervalo de um mês para a segunda dose e de seis meses para a terceira. Também é indicada para gestantes. As vacinas combinadas de hepatite A e B substituem as doses isoladas, mas não estão disponíveis na rede pública.
  • HPV: apesar de não estar no calendário nacional de vacinação, é recomendada para crianças, adolescentes e adultos (homens e mulheres), dos 9 aos 26 anos. São três doses, que devem ser aplicadas em intervalos de um mês para a segunda dose, e de seis meses para a terceira. É contraindicada para gestantes e não está disponível na rede pública de saúde.
  • Influenza (gripe): dose única anual, disponível apenas em redes particulares. A rede pública de saúde oferece gratuitamente a vacina para grupos de risco: pessoas acima de 60 anos, crianças entre seis meses e dois anos, profissionais de saúde, índios, gestantes, presidiários, pacientes crônicos e mulheres que deram à luz em até 45 dias.
  • Meningocócica conjugada ACWY: protege contra as bactérias que causam meningite. Deve ser aplicada aos 11 anos. São duas doses com intervalos de cinco anos entre elas. Não está disponível na rede pública de saúde.
  • Meningocócica conjugada: uma dose, mesmo para mulheres vacinadas na infância ou há mais de cinco anos. É contraindicada na gravidez, com exceção de risco aumentado. Para os homens também a dose é única (não disponível na rede pública de saúde).
  • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola): só é considerado protegido o adolescente ou adulto que recebeu, em algum momento da vida, duas doses da vacina após 1 ano de idade. As duas doses devem ser aplicadas em mulheres que não receberam a vacina ou que tenham antecedentes vacinais desconhecidos. O intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias. É contraindicada para gestantes e está disponível na rede pública para mulheres até 49 anos. Homens com até 39 anos podem tomar a vacina gratuitamente nos postos de saúde
  • Varicela (catapora): indicada para quem não tem histórico de infecção prévia. São duas doses, com intervalo de três meses em menores de 13 anos e de um a três meses em maiores de 13 anos. Essa vacina não está disponível na rede pública de saúde e é contraindicada para gestantes.

 

IDOSOS

  • Febre amarela: disponível em postos de saúde, é indicada apenas para residentes de áreas de risco e viajantes. Para idosos fora deste grupo, a vacina não é recomendada por causar efeitos adversos.
  • Hepatites A e B: em pessoas com mais de 60 anos existe a possibilidade de encontrar anticorpos contra a hepatite A. Por isso, para esse grupo, a vacinação não é prioritária, nem disponibilizada na rede pública. A vacina contra a hepatite B é recomendada, mas também só é encontrada na rede particular.
  • Influenza (gripe): dose única anual. A vacina está disponível na rede pública para homens e mulheres acima de 60 anos. Como fazem parte do grupo de risco aumentado, devem tomar a vacina antes do outono.
  • Meningocócica conjugada ACWY: também não é oferecida nos postos de saúde e só deve ser tomada em situações endêmicas com recomendação de um médico.
  • Pneumocócica conjugada 13 valente (VPC13) e Pneumocócica 23 valente (VPP23): previnem infecções causadas pela bactéria pneumococo. A sequência de vacinação deve ser iniciada com uma dose da VPC13, seguida de uma dose de VPP23 dois meses depois, e uma segunda dose de VPP23, após cinco anos. As vacinas são disponibilizadas em postos de saúde para grupos de risco.
  • Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa): apesar de estar disponível apenas na rede particular, uma dose de vacina dTpa é recomendada, mesmo nos indivíduos que receberam a vacina dupla bacteriana do tipo adulto (dT). Isso porque uma pessoa com mais de 60 anos é propensa a ter complicações relacionadas a coqueluche. A vacina é indica até para quem já teve a doença, uma vez que a proteção não é permanente.
  • Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola): é considerada protegida a pessoa que já recebeu duas doses da vacina após 1 ano de idade, com intervalo mínimo de um mês entre elas. No caso dos idosos (que ainda não tomaram esta vacina), o médico deve ser consultado.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)

(Foto: Getty Images)