Saúde e Bem-estar

Contaminação cruzada: um risco para criança com alergia alimentar

Por Patrícia Cerqueira
@Comida Boa Muda Tudo

Alguns sintomas não são causados pelo contado direto com a fonte do problema. Muitas vezes, a reação é provocada por algo simples, como uma faca

Contaminação cruzada: um risco para criança com alergia alimentar

Alergia alimentar é um problemão. Difícil de diagnosticar, de tratar, de sensibilizar a indústria de alimentos. Entendi o tamanho desse problema porque Miguel foi um bebê com suspeita de ter alergia à proteína do leite de vaca.

Durante as minhas pesquisas sobre alergia alimentar me deparei, pela primeira vez, com a expressão "contaminação cruzada". Não fazia ideia do que se tratava. Li e descobri que o contato indireto do alérgico com a substância alergênica já é suficiente para desencadear reações no organismo.

Mas que contatos são esses? São situações cotidianas aparentemente banais. Usei dois exemplos simples para mostrar - e sensibilizar- as pessoas sobre esse problema que atinge 6% da população brasileira:

1) Você vai ao supermercado e pede 100 gramas de mortadela para o seu filho, alérgico à proteína do leite de vaca. Produto fatiado na hora, na sua frente, embalado e pronto para ser levado para casa. Só que ele está contaminado com leite de vaca. Você não viu, mas o cliente anterior pediu 300 gramas de mussarela, que foi fatiada na mesma máquina da sua mortadela. No momento que o seu embutido foi cortado, teve contato com restos da mussarela. Muita gente não acredita, mas esse cruzamento da mussarela com a mortadela será o suficiente para desencadear uma reação no organismo seu filho. O ideal seria que os supermercados reservassem uma máquina exclusiva para fatiar produtos à base de leite.

2) Você chama os amigos para almoçar na sua casa. Entre os pratos servidos está uma salada deliciosa com croutons, que você colocou para dar um toque diferente. Entre os convidados, um não come a salada justamente por causa dos pedacinhos de pão crocante. Não adianta dizer a ele para tirar os croutons e comer a salada. As folhas já sofreram a contaminação cruzada mesmo que os quadradinhos de pão sejam deixados de lado. O ideal é sempre que organizar um almoço ou jantar entre amigos perguntar se alguém tem restrição alimentar. Aliás, os utensílios usados na fabricação de comida sem glúten não podem ser colocados com os outros utensílios. Os fabricantes de alimentos sem glúten não devem jamais preparar os alimentos perto de comida com glúten, segundo a Fenacelbra.

Dois exemplos simples, mas que mostram o quanto a contaminação cruzada pode ser perigosa. Uma simples faca que cortou um pão francês e depois é usada para passar manteiga em uma torrada sem glúten pode desencadear uma série de reações desagradáveis no corpo da criança alérgica ao glúten.

Onde mais pode ocorrer contaminação cruzada: 

1) Preparações que utilizem margarina (produto que muitas vezes tem leite na composição);
2) Chapas ou formas que tenham sido untadas com manteiga ou margarina contendo leite e onde foi feito um pão a chapa;
3) Utensílios, como pegadores ou facas, que tenham sido utilizados em produtos contendo leite ou glúten;
4) Liquidificador mal lavado (sabe liquidificador de padaria, onde o povo só passa água depois de bater a vitamina? Então é ali que é feito o suco de maracujá que seu filho toma e depois tem reação alérgica);
5) Preparações fritas em óleo comum à outras preparações contendo leite ou derivados ou glúten.

Como é possível educar usando humor, o Sofrimento de um Celíaco, um grupo no Facebook e um Tumblr, traz muita informação com postagens divertidas e curtas sobre o cotidiano dos celíacos, por exemplo. Se você quer aprender mais sobre contaminação cruzada e se divertir, visite o Sofrimento de um Celíaco. As situações por eles criadas também servem para o alérgico à proteína do leite de vaca.

Beijos e atenção com a contaminação cruzada.

Patricia