Saúde e Bem-estar

Criança pequena pode, sim, se estressar

Uma carga de atividades grande demais pode sobrecarregar os pequenos. Saiba como inserir novas atividades no rotina deles, na medida certa

Criança pequena pode, sim, se estressar

Atividades extracurriculares. Muitos pais já se empolgam e acham que modalidades além da escola podem ser interessantes para o desenvolvimento dos filhos.

A princípio, essa proposta parece ótima, mas tem que ser muito bem estudada. Do contrário, o excesso de atividades pode acarretar estresse físico e emocional para os pequenos.

Segundo Susana Orio, psicóloga e orientadora educacional do colégio Madre Alix, em São Paulo, a idade e o tipo de atividade a ser feita dependem bastante de cada criança.

“O importante é buscar conhecer o ritmo do seu filho e respeitar tanto a faixa etária quanto as diferenças individuais de cada criança. Durante a pré-escola, dois terços da inteligência das pessoas são desenvolvidos, por isso é importante aumentar o estímulo nessa fase, mas sem sobrecarregá-la”, conta a especialista.

Cristina Carvalho, pedagoga e coordenadora pedagógica do colégio Joana D'Arc, também em São Paulo, acredita que a partir do jardim de infância a criança já está apta a encarar outros desafios além da escola.

“O jardim é o momento mais indicado porque a criança já está com a coordenação motora formada para poder fazer aulas. Mas tem que introduzir aos poucos, não esquecendo que a criança aprende brincando. Além disso, é importante o contato com outras crianças”, diz.

Independentemente da idade, a frequência de três vezes por semana é o máximo para a criança não encarar a atividade como obrigação ou se sentir sobrecarregada. A rotina da família também deve ser levada em conta.

“Se a criança fica na escola em período integral e depois tem atividade extracurricular pode ser que não se adapte, pois sente falta de casa, e ela precisa desse ambiente”, acredita Susana.

Isso sem contar que é indicado à criança ter pelo menos duas horas por dia para estudar em casa – rever o que aprendeu, fazer a lição etc –, o que deve ser respeitado mesmo com as atividades.

E por onde começar? Antes de matricular os pequenos em qualquer modalidade, é preciso sempre levar em conta o que querem; às vezes eles até pedem para fazer algo, então por que não considerar?

“Precisa deixar a criança conhecer as coisas até ela saber o que quer. Por exemplo, música. Nos próprios conservatórios eles fazem testes até os pequenos descobrirem quais instrumentos gostam”, diz Cristina.

Para Susana, as atividades físicas são boas alternativas, entre elas a natação, que pode ser iniciada quando o bebê ainda tem apenas meses de idade.

“Atividades de recreação também são indicadas pois, além da questão física, é um momento em que ela socializa com as outras crianças, então vai sendo um trabalho bem interessante também de convivência”, explica a especialista. 

Criança estressada

Como reconhecer ser a criança está sobrecarregada? 

Os sinais de sobrecarga são bem claros. “Você percebe que a criança está ficando cansada, mal-humorada ou irritada quando ela já responde com pavio curto qualquer coisa que você pergunte, quando não quer falar ou até mesmo entra no carro e já capota. Não é uma recriminação, mas é importante ter um tempo de descanso”, explica a psicóloga. 

Outro exemplo é o desempenho das atividades de casa. Se a criança passa o dia todo fora e, quando chega, ainda tem que fazer lição de casa, a tarefa não vai ficar bem feita, pois ela está sobrecarregada. 

“Os pais, às vezes, já querem que a criança aguente um ritmo de executivo, mas ela não é um executivo. Eles têm que avaliar se a atividade está ajudando ou prejudicando o desenvolvimento e a escola. Este equilíbrio tem que ser encontrado, e não dá pra generalizar para todas as crianças”, explica Susana. 

Em alguns casos a criança não se adapta à atividade e os pais optam por tirá-la das aulas. Antes disso, porém, é importante detectarem o porquê de ela não ter se adaptado – se não gostou da atividade, está encontrando um desafio, tem dificuldade com o grupo, medos etc.

 Às vezes é necessário que os adultos a ajudem nesse sentido. Caso contrário, ela ficará mudando continuamente de atividade. Se o pequenos está encontrando algum desafio, os pais devem achar maneira de estimulá-lo, impedindo que fique retraído.

 “O importante é realmente estarem atentos à criança, tanto em relação a esse estresse que pode ocorrer, quanto em relação à causa dele”, finaliza Suzana.

(Fotos: Getty Images)