Saúde e Bem-estar

A graça do diário

Por Helena e Joana Cardoso

Por que será que o hábito de escrever em diários vai embora junto com nossa infância?

A graça do diário

Inicialmente, pode parecer perda de tempo ocupar aqueles minutos antes de dormir escrevendo um dia a dia que se repete. Alguns, por conta disso, optam por escrever apenas quando viajam, para que o papel registre dias com mais movimento.

Percebo que essas anotações têm uma função (talvez não proposital) que vai muito além de guardar bons momentos para serem lembrados no futuro.

É a partir do hábito de contar para alguém (ou, no caso, o caderno) sobre o nosso dia, que aos poucos vamos ganhando mais consciência do que passa dentro de nós.

Podemos, ao ler os últimos registros, nos dar conta de quais atividades andam se repetindo, quais, apesar de agradáveis, não realizamos, ou mesmo que deveres deixamos de cumprir.

Além disso, a partir do diário, podemos começar a perceber nossas emoções. Para poder registrar ali naquelas folhas, precisamos nos observar. E é a partir dessa observação que aumentamos nossa autoconsciência, tão necessária para agirmos alinhados com o que de fato queremos ser.

Na correria do dia a dia são essas as análises que acabam não acontecendo e vamos vivendo a vida sem percebermos muito nossas escolhas.

Gostaria de, a partir desse texto, sugerir uma atualização do diário na vida adulta. Talvez não na forma desse objeto, mas de um momento do dia dedicado à ponderação.

Por Helena Cardoso

 

(Foto: MorgueFile.com)