Saúde e Bem-estar

Pitadas de prazer

Desvende as causas e os segredos para estimular o desejo sexual feminino

Pitadas de prazer

Acredite: ainda hoje, é grande o número de mulheres que sofrem com a falta de interesse sexual. "Estudos apontam que, na grande maioria das vezes, a causa é psicológica", revela a ginecologista do Hospital Bandeirantes, Fernanda Cristina Antunes de Araujo Pepicelli. 

Entre 20% e 50% das mulheres têm alguma queixa de disfunção sexual, estando a falta de desejo presente na vida de 34,6% delas e a disfunção de excitação e anorgasmia em cerca de 29,3%, segundo o Estudo do Comportamento Sexual (ECOS) do Brasileiro.

A insatisfação com a vida pessoal, o estresse por problemas no trabalho, afazeres da casa, preocupação com os filhos, contas para pagar e até mesmo medo do desempenho sexual e como seu parceiro responde a todo esse emaranhado de sentimentos podem afetar o desejo feminino. 

"A mulher não funciona como o homem. O desejo sexual dela costuma ser variável ao longo da vida e sofrer influências”, explica Helga E. M. G. Monaco, especialista em ginecologia e obstetrícia.

Entre os fatores que refletem estão hormônios, doenças físicas e psíquicas, uso de alguns medicamentos, certos acontecimentos - como início e fim de relacionamentos, qualidade e duração do relacionamento, alteração de qualidade de vida, da autoimagem e autoestima -, além de traumas emocionais, como abuso sexual e experiências sexuais negativas que ocorreram anteriormente.

Obviamente, as alterações hormonais, como a menopausa, a gestação e a amamentação, interferem e podem colaborar para a redução da libido. 

Ainda há problemas como depressão, ansiedade, doenças clínicas associadas a diabetes, hiperprolactinemia, hipotireoidismo, câncer e doenças como endometriose e infecções que levam à dor pélvica crônica – que, por sua vez, interfere secundariamente na redução do prazer.

Sim, a culpa é dela…

Uma das grandes vilãs do desejo é a menopausa, já que nesse período a mulher sofre com a diminuição de diversos hormônios.

O Estudo do Comportamento Sexual do Brasileiro também observou que a dificuldade de excitação atinge 28% das mulheres entre 18 e 25 anos e 38,1% acima dos 60 anos, como afirma o ginecologista Ivaldo Silva.

A menopausa não é prejudicial apenas para a diminuição do desejo, mas também para a redução da lubrificação vaginal, acarretando dor no ato sexual. Por isso, nessa fase, é importante o acompanhamento médico para ajustar estas alterações, inclusive com medicação, se for necessário. 

Estimulando o desejo

O primeiro passo para melhorar a libido é consultar o ginecologista a fim de afastar possíveis causas orgânicas e alterações hormonais. Muitas vezes, tais ocorrências pedem tratamento medicamentoso.

Contudo, se nesse quesito estiver tudo em ordem e o desejo não aparecer, é recomendado procurar um terapeuta ou psicólogo para aprender a lidar com o estresse do dia a dia e outros problemas pessoais que certamente estão atrapalhando a vida sexual.

Tendo um organismo saudável e as emoções sob controle, a ginecologista Fernanda aconselha a mulher a conversar com o parceiro. 

"É fundamental falar abertamente das dificuldades, interesses e desejos, para que o casal se torne cada vez mais íntimo. Às vezes, com a correria dos dias, o que menos damos atenção é para o que sentimos e temos dificuldade de dividir isso com a pessoa que está ao nosso lado na cama", finaliza.

Outra dica para acender a chama é ter um compromisso a dois. Por exemplo, o casal pode marcar um dia na semana para sair junto e fazer algo de que gosta, como ir ao cinema ou a um restaurante a sós. Ou seja, sem filhos e sem problemas familiares ou de trabalho.

Para apimentar a relação, a mulher deve colocar em prática as fantasias que ajudam a melhorar a libido. Então capriche nas preliminares, pesquise e converse com o seu parceiro sobre possibilidades novas que despertem o interesse sexual (posições, brinquedos, literatura erótica, filmes etc.).

Não se esqueça também de ter hábitos saudáveis, como praticar exercícios físicos, que melhoram o humor, a imagem e a consciência corporal, aumentam o bem-estar e, consequentemente, o desejo. Reduza o uso de álcool e abandone o cigarro.

Conheça-se!

Ter conhecimento sobre o próprio corpo é fundamental. Apesar de toda a evolução na vida profissional e intelectual conquistada nas últimas décadas, as mulheres ainda têm na sexualidade um tabu. 

Muitas não sabem como são seus órgãos genitais, não se olham, nem se tocam, dificultando a obtenção de prazer. 

A verdade é que a mulher precisa ser estimulada em todos os sentidos, tanto pelo parceiro como por si mesma. Para isso, uma boa opção é ler livros de romances, com doses de erotismo, ajudando a estimular os desejos mais profundos e, muitas vezes, esquecidos.

(Fotos: Getty Images)