Saúde e Bem-estar

A política do filho único

Por Andrea Alves

O que aconteceria neste mundo sem irmãos

A política do filho único

Controle populacional é algo que deve ser observado com atenção pelos governos e assim tem sido feito pela maioria dos países que buscam prosperidade econônica. 

Via de regra, este controle é feito através de políticas de orientação da população (especialmente dos jovens nas escolas) e da oferta gratuita de medidas contraceptivas pelo sistema público de saúde.

Mas em tempos de crise hidráulica, energética, econômica, novos paradigmas passam a ser discutidos como soluções para o planeta a longo prazo como, por exemplo, a política do filho único, implantada na China no final da década de 70.

Vimos que nas últimas décadas aumentou significativamente a quantidade de casais que concebem apenas um filho. Primeiro, porque ter um filho hoje em dia e suprí-lo das necessidades básicas tornou-se extremamente caro.

Em segundo porque, com pais e mães atuando no mercado de trabalho, a disponibilidade dos mesmos fica mais restrita no que se refere à criação de um filho, quem dirá dois ou três.

Mas na Europa, onde esta tendência de apenas um filho (ou nenhum) ocorre há mais tempo que no Brasil, observa-se uma população onde o número de velhos passa a ser maior que o de nascimentos, ou seja, com a população envelhecendo, o governo passa, em longo prazo, a ter mais gastos do que receita com a população economicamente ativa.

Na China, até 2050 mais de um quarto da população do país terá mais de 65 anos.

No país asiático que, mesmo com a política do filho único ainda é o mais populoso do mundo, não só a economia sofrerá no longo prazo, como também os próprios jovens filhos únicos, por causa do fenômeno conhecido como 4-2-1.

Como lá os mais jovens da família tradicionalmente cuidam dos mais velhos, um filho único é obrigado a cuidar dos dois pais e dos quatro avós assim que entra em idade para trabalhar.

A imposição da política do filho único trouxe outro grande problema à população chinesa: pela preferência cultural aos meninos, muitos casais abortaram as meninas, o que hoje gera um desequilíbrio de gênero.

Até o final desta década, serão 24 milhões de homens “sobrando”, que não conseguirão encontrar uma esposa. Em 2013, a China declarou que vai criar um arrojo na política, permitindo que pais de filhos únicos possam ter dois filhos.

Diminuir o crescimento populacional parece ser a única saída para um planeta que se exaure a cada dia com a demanda abusiva de recursos. Não haverá previdência em país algum que se sustente.

Em cem anos, se a ação do homem continuar no ritmo atual, que será da água e energia, do solo produtivo e do ar?

Alguns especuladores não descartam que uma política de filho único, com menos rigor de esterilização e mais educação, seja a forma de fazer o consumo desacelerar, mesmo que isso, a longo prazo, nos cause um encolhimento econômico e, por consequência, uma nova forma de pensar a nossa relação com as coisas.

Por último, e talvez mais complicado, seja pensar nesse novo paradigma familiar onde não haveria irmãos e primos.

A priori poderíamos pensar que a tendência natural do ser humano seria se individualizar e quem sabe até se tornar egoísta. Mas por que não podemos pensar numa revolução de consciência e numa nova dinâmica social onde todos na comunidade se vejam como irmãos e ajudem-se entre si?

Talvez o nosso conceito de família hoje já seja individualista e até feudal, onde protejo os meus e “azar” do resto.

Toda esta questão nos abre as portas para um pensamento mais profundo sobre as nossa vontades individuais de procriação e sobre a necessidade (e possibilidade) real do mundo que deixaremos para nossos filhos.

Reflita você também e compartilhe com a gente sua opinião.

(Foto: Arquivo pessoal)