Saúde e Bem-estar

Pornografia na internet

Por Andrea Alves

Como alertar seus filhos sobre o prazer natural e o vício

Pornografia na internet

Até a década de 90, momento onde vivi minha adolescência, os garotos articulavam e montavam planos escondidos para adquirirem uma revista “pornô” ou alugar um filme adulto nas locadoras. Havia até uma graça nesse senso de dificuldade e proibído. E uma passada aqui e acolá pela pornografia não faz mal a ninguém. O problema nasce quando, pelo excesso dessa prática, nasce o vício e a dificuldade de se relacionar com outras pessoas.

A internet, que facilitou nosso acesso à diferentes tipos de informações, é a ferramenta externa para o fenômeno do vício a pornografia. No cérebro, isso acontece através dos mecanismos de recompensa, com hormônios como a dopamina, mesmo mecanismo do vício em drogas.

No caso da pornografia, o cérebro acredita que a cada novo vídeo uma nova fêmea está sendo fecundada, garantindo a renovação do sêmen durante a masturbação.

Isso explica dois importantes pontos:

1- Porque os homens são a maioria (70%) do público da pornografia;

2- Porque os vídeos vão ficando cada vez mais “picantes” – e algumas vezes até ilegais, com cenas reais de estupro e pedofilia - no universo dos compulsivos. O sistema de recompensa se acostuma com os iniciais “papai e mamãe” e busca cada vez mais para se excitar.

No dia a dia isso pode afetar e muito a qualidade de vida do viciado, enfraquecendo a capacidade de enfrentar certos tipos de sofrimento e lidar com a ansiedade e o tédio. Além das relações que muitas vezes são substituídas pelo vício à pornografia, é comum que os compulsivos venham sofrer disfunção erétil e dificuldade de ejacular cada vez mais jovens.

Não há nada de errado com a masturbação. Ela faz parte da cognição humana e nos ensina sobre nosso próprio corpo e como sentimos prazer…desde que apreciada com moderação. O risco está na compulsão e, nesses casos, é preciso procurar ajuda. Já existem alguns grupos de apoio que dão suporte nesse sentido, bem com o tratamento com a psicoterapia e um grande portal chamado Yourbrainporn, onde pode-se encontrar estudos científicos e depoimentos informais.

Converse abertamente com seus filhos sobre a masturbação, pornografia e sexo em geral, a medida que eles entrem na adolescência. A transparência é a melhor chave na comunicação dos tabus. Dessa forma, ninguém se sentirá um monstro se precisar recorrer aos pais para pedir ajuda.

(Foto: Arquivo pessoal)