Saúde e Bem-estar

Proibidos na gravidez

Durante a gestação, é recomendável parar de consumir ou evitar certos ingredientes e produtos para a boa formação do bebê

Proibidos na gravidez

A gestação é um período em que a mulher precisa tomar algumas precauções em relação a tudo o que consome, já que seu corpo está formando um novo ser.

Tudo acontece muito rápido e de forma intensa: das mudanças físicas às psicológicas, o organismo pede atenção especial, o que significa repensar e reestruturar seu cardápio e até seu dia a dia.

Entre as mudanças físicas, ocorrem alterações na imunidade. “As células de defesa não podem reconhecer o embrião como um corpo estranho e, com isso, a mulher fica mais suscetível a algumas infecções que, se contraídas durante a gestação, podem levar a alterações muito importantes no embrião em desenvolvimento", explica a obstetra Paula Bortolai Martins Araujo, do IPGO Centro de Reprodução Humana.

É o que ocorre, por exemplo, com a rubéola, a toxoplasmose, a sífilis e o citomegalovírus, que podem causar alterações neurológicas, ósseas e oculares no bebê caso sejam contraídos durante a gravidez.

No entanto, muitos mitos rondam a gestação, e é preciso estar muito bem informada para distinguir o que é verdadeiro do que não passa de crendices.

O que não comer na gestação

A primeira tarefa é manter um estilo de vida saudável, evitando alimentos pobres em vitaminas e com alto valor calórico, assim como aqueles que têm alto teor de sódio e conservantes, como os refrigerantes e produtos industrializados.

Em vez disso, prefira sempre alimentos nutritivos com gorduras saudáveis, minerais, carboidratos e proteínas. Mas existem ainda outras recomendações:

  • Bebida alcoólica: é proibida em qualquer fase da gestação, independentemente da dose, pois pode levar a alterações no desenvolvimento neurológico do bebê.
  • Carne crua ou mal passada: seja branca ou vermelha, também está vetada do cardápio da gestante pelo risco de transmissão de toxoplasmose e outras doenças infecciosas, como salmonelose e listeriose. Os mesmos riscos de transmissão ocorrem com leites e queijos não pasteurizados e com ovos crus.
  • Verduras, frutas e legumes: devem ser muito bem lavados, evitando-se produtos que contenham grande quantidade de agrotóxicos. Se possível, opte pelos orgânicos, como no caso do tomate. E evite frutas difíceis de lavar, como o morango.
  • Carne de porco: está proibida, pois pode conter ovos de parasitas que prejudicam a gestação.
  • Peixes como o atum e salmão: correm o risco de apresentar grandes quantidades de mercúrio, substância que, em altas concentrações, pode ser prejudicial ao desenvolvimento do sistema nervoso do feto. Portanto, evite-os.
  • A cafeína, encontrada em chás, cafés e bebidas à base de cola, é uma substância termogênica, que acelera o metabolismo e a temperatura corpórea. Ela pode estimular a produção de hormônios de estresse, levando à taquicardia fetal e vasoconstrição no leito placentário. Por esse motivo, não pode ser consumida em excesso - mas uma pequena dosagem, com moderação, é permitida.
  • Canela e pimenta: como são alimentos termogênicos, devem ser consumidos com moderação durante a gestação.
  • Os únicos adoçantes que podem ser usados são os derivados da sucralose e o stevia (que é um adoçante natural). Os outros contêm substâncias que podem ser prejudiciais ao bebê e não podem ser usados.

 

Existem, também, muitos mitos a respeito do uso de chás que seriam abortivos se usados durante a gestação, como o chá de erva-de-bicho, buchinha, chá preto e o chá-mate.

Na realidade, como esclarece a obstetra, o que se sabe é que o chá deve ser retirado da rotina das gestantes pelo seu papel termogênico e porque muitos deles contêm uma alta concentração de cafeína e mate, que podem levar ao aumento do metabolismo fetal e vasoconstrição dos vasos da placenta.

"Contudo, tomar uma pequena xícara de chá esporadicamente não tem poder para provocar abortamento ou qualquer alteração na gestação", reitera Paula.

Restrição de medicamentos

Outro item que merece esclarecimento são os medicamentos, principalmente na fase inicial da gestação, quando se deve evitar o uso de qualquer tipo de medicação.

"Há muitas drogas com efeitos teratogênicos, isto é, potenciais para causar malformações fetais, e outras que podem levar a alterações sanguíneas e metabólicas. Dessa forma, nenhuma medicação deve ser tomada na gestação sem orientação médica", pontua.

A FDA (Federal Drugs and Foods Administration) classifica todas as medicações conforme seu risco potencial para uso durante a gestação em cinco classes, respectivamente: A, B, C, D e X.

Os medicamentos das classes A e B podem ser usados por gestantes. Os das classes C e D produzem riscos para o feto e só devem ser usados se o benefício em seu uso superar riscos. Já os da classe X devem ser evitados.

Entre as medicações mais comuns estão AAS, anfetamina e acetamifeno, que são classificadas na categoria C. Os descongestionantes nasais também precisam de atenção, pois possuem vasoconstritor e podem aumentar a pressão, além de produzir diminuição no fluxo placentário.

Remédios comuns, como cremes e pomadas, devem ser evitados, já que podem ser absorvidos pela pele e cruzarem a placenta com passagem para o feto, transmitindo substâncias nocivas. As vitaminas e as medicações de uso contínuo, como anti-hipertensivos, medicação para tireoide, entre outros, também devem ser mantidos apenas se o médico permitir.

Resumindo, nenhuma medicação deve ser tomada sem a orientação médica durante a gestação, mesmo as fitoterápicas (à base de ervas), pois até elas podem levar a danos durante a gravidez.

O que é interessante saber é que muitos sintomas que ocorre durante os nove meses e que a princípio levariam a mulher a ingerir alguma medicação podem ser controlados com medidas simples e alterações em alguns hábitos.

Por exemplo, os enjoos podem ser minimizados fracionando-se a dieta e evitando-se alimentos quentes ou muito temperados; as dores na coluna ou nos membros inferiores podem melhorar com massagens, acupuntura e atividade física. Os edemas, por sua vez, pode ser evitados com a diminuição do sal na dieta.

Tratamentos de beleza estão liberados?

Cuidados com a beleza também precisam ser tomados nessa fase. Pintar o cabelo, fazer progressiva, luzes e outros procedimentos que utilizem produtos químicos devem ser evitados, uma vez que podem ser absorvidos pelo couro cabeludo ou inalados.

Além disso, são altamente tóxicos tanto para a mãe quanto para o bebê, principalmente se usados nos primeiros três meses de gestação. Dessa maneira, devem ser evitados durante a gestação. Para saber mais, confira uma reportagem completa sobre o assunto .

Animais de estimação em casa

Ao contrário do que se pensa, os bichinhos de estimação estão liberados. Esse é um dos mitos já desmentidos, pois os pets, inclusive, auxiliam na diminuição da ansiedade e até ajudam no desenvolvimento das crianças e diminuem as chances de alergias.

No entanto, deve-se ter cuidado com alguns animais que podem transmitir doenças como a toxoplasmose (por meio das fezes de gatos contaminados), a salmonelose e a infecção por Escherichia coli - bactérias que podem parasitar em animais de estimação como cachorros, gatos, aves e que produzem infecções gastrointestinais graves.

A boa notícia é que, raramente, animais vacinados e que frequentam regularmente o veterinário oferecem risco à família. Por isso, não se deve afastar os animais e, sim, ter alguns cuidados a mais, como usar luvas ao mexer nas fezes do seu pet, evitar que na rua ele pise ou cheire as fezes de outros animais, e evitar contato com bichos desconhecidos.

(Foto: Getty Images)