Saúde e Bem-estar

Sophie Deram, a nutricionista que é contra a dieta

Por Patrícia Cerqueira
@Comida Boa Muda Tudo

Para essa francesa que vive no Brasil, emagrecer não significa passar fome ou restringir o que se come

Sophie Deram, a nutricionista que é contra a dieta

Conheci a nutricionista francesa Sophie Deram durante um evento no SESC. Foi amor à primeira vista.

Fiquei encantada com a aula que ela deu para uma plateia formada quase que totalmente por mulheres (qual mulher que nunca fez uma dieta na vida?). Confesso que não a conhecia até então! Falha minha.

Sophie é uma defensora de se comer corretamente e abolir as dietas restritivas. Francesa de nascimento, está no Brasil há mais de 20 anos e tem uma vasta experiência e conhecimento em comportamento alimentar.

Engenheira agrônoma, nutricionista, doutora em endocrinologia e com especialização em nutrigemónica (a ciência que trata de como os alimentos conversam com nossos genes) e transtornos alimentares, ela acredita que precisamos aprender a comer corretamente ao invés de optar por dietas que cortam esse ou aquele alimento. "Fazer dieta desregula o cérebro", diz ela.

E acrescenta que, cada vez mais, percebemos que emagrecer não consiste apenas em fechar a boca e fazer atividades físicas. De acordo a especialista, pior ainda, há provas de como a dieta restritiva pode levar você a ganhar ainda mais peso a longo prazo, além de ajudar a desenvolver pensamentos obsessivos sobre a comida.

Durante os anos de estudos e atendimento de pacientes, Sophie pôde comprovar que dieta restritivas podem desregular o centro do apetite, localizado no cérebro, além de aumentar o comer emocional, o risco de compulsões ou de desenvolver transtornos alimentares e engordar a longo prazo.

Quando pergurtam para Sophie se dietas restritivas funcionam, ela costuma responder:

Mais de 95% das pessoas que fizeram acabaram voltando ao peso inicial (ou até acima dele), depois de dois anos. No entanto, não é o seu estômago ou metabolismo que controla seu peso e, sim, o seu cérebro que controla tudo: emoções, fome, saciedade e peso! O cérebro reage ao estresse da dieta e liga um mecanismo de adaptação e aumenta o apetite e diminui o metabolismo. Quanto melhor você alimentar seu corpo, menos estressado o seu cérebro ficará! Assim, ele irá se desligar da mentalidade da dieta e ajudará você a eliminar a gordura armazenada para proteger você do perigo de não comer o suficiente ou o adequado.

Segundo ela, basta apenas dizer para o paciente a palavra dieta que o cérebro dele já se estressa. "Ao invés de se ter uma pessoa que vai aderir ao tratamento, temos pacientes estressados com o ato e emocionalmente infeliz", disse a nutricionista durante o congresso.

E completa: "Nosso avós não tinham preocupação com a alimentação porque eles tinham uma alimentação simples e com horários rígidos".

Hoje, se o prato que chega à mesa não tiver um toque gourmet, parece que não tem graça, sem apelo, sem sabor. E os horários para se almoçar são variados, algo que confunde completamente o cérebro, que passa a armazenar gordura com medo de ficar sem energia.

Para Sophie, a chave para se ter uma boa saúde é comer em horários regulares e uma comida simples, boa, gostosa e com alimentos regionais - sem apelos nem nomes complicados. Ela implora: pare de fazer dieta, de contar calorias e coma melhor!

Por fim, Sophie pede aos consumidores brasileiros para pressionarem a indústria de alimentos a melhorar os produtos que colocam à venda no Brasil.

"Não entendo porque um iogurte na França tem leite, morango, açúcar e suco de cenoura e no Brasil o iogurte de morango da mesma marca tem leite, preparado de morango que leva amido, goma e espessantes e muitos conservantes. Por que a mesma empresa faz um produto de boa qualidade na França e de qualidade inferior no Brasil? Porque os consumidores não a pressionam para oferecer algo melhor!"

É isso!

Beijos e comam melhor!

Patricia

(Foto: Arquivo pessoal)

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