Saúde e Bem-estar

Você se acha bonita?

Por Andrea Alves

A beleza está nos olhos de quem vê

Você se acha bonita?

Autoestima, bem-estar e beleza estão comprovadamente ligados. Especialmente para a mulher, a aparência afeta o dia a dia, as relações e até a vontade de viver. Mas será que estamos enxergando no espelho algo real sobre nós ou pode haver uma distorção desta imagem?

É fato que os padrões mundiais de beleza caminharam para algo que beira a perfeição estética, apelando inclusive para recursos artificiais, como as cirurgias plásticas e o uso de Photoshop e outros programas.

Porém, não são apenas esses valores que estão presentes quando olhamos no espelho. Se fosse, todas as top models seriam infinitamente felizes em suas vidas privadas, e sabemos que nem sempre é assim. Muitas delas (talvez a maioria) também sofrem com as pressões dos padrões e com um ideal de beleza que não pode ser atingido senão através da autoaceitação e maturidade emocional.

Embora a insatisfação com o próprio corpo seja quase geral, é fundamental termos em mente que cultivar a bondade, o bom humor, o contentamento, além de estar de bem com as próprias escolhas são fatores que definem o belo muito além das capas de revista.

Resultado de uma pesquisa encomendada pela empresa Unilever a equipe da Dra Nancy Etcoff, do departamento de psicologia da Universidade de Harvard, assustadores 98% das mulheres dizem não se acharem belas.

Das 3,2 mil mulheres entrevistadas em dez países, variando entre 18 e 64 anos, quase 100% associa a beleza de maneira estreita ao visual, fixas em características como a magreza das modelos. No Brasil, o número de mulheres que se acham belas cresce pouco, para 6%, enquanto no Japão este número é nulo.

A falta de satisfação feminina baseada em modelos de “beleza perfeita”, impossíveis de se atingir, alimentam o mercado das cirurgias plásticas, a gigantesca indústria de cosméticos e parece extremamente conveniente para os lucros das empresas, mas nada para as mulheres.

Segundo a Dra Nancy, no Brasil esse quadro pode se agravar porque a beleza tem um peso muito maior na nossa sociedade, nos fazendo acreditar que ser bonita é fundamental para ser feliz. Isso mostra que o padrão de beleza pode variar de acordo com a cultura. Normalmente está associado ao que é raro. Em terras onde a população aumenta de peso a cada dia, o bonito passa a ser a magreza, segundo Dra Nancy.

A pesquisa também apontou que estas mesmas mulheres foram capazes de associar gentileza, felicidade e inteligência a beleza, num segundo momento. Apontam essas qualidades como belas em amigas e familiares, mas ao falar de si mesmas, ficam muito mais críticas e concentradas no que acham que não têm.

Dra Nancy conta sobre uma tendência que cresce em contrapartida a esse quadro: pessoas buscando autenticidade e uma aparência natural. É uma resposta a tantos produtos, cirurgias e programas de TV que deixam todo mundo com a mesma cara.

De certa forma, o sentimento de imperfeição pode sim ser benéfico para nós, uma vez que é o que nos faz querer melhorar. Mas é preciso ter clareza de que a melhoria pode acontecer e depende de nós. Porém, a perfeição é uma ilusão criada para vender coisas.

Se nosso olhar for ainda mais voltado ao bem-estar no presente, cultivando gratidão pelo que se é o pelo que se tem, conhecendo e valorizando as qualidades que já tem e buscando saudavelmente cuidar de si, uma nova beleza surgirá.

A pessoa feliz irradia felicidade e atrai olhares por um brilho inexplicável, fora dos padrões. A verdadeira beleza já está em você. Basta abrir os olhos do coração para enxergá-la.

(Foto: Arquivo pessoal)