Tecnologia

Smartphone: a chupeta do século 21?

Por Patrícia Cerqueira
@Comida Boa Muda Tudo

Pesquisa Ipsos mostra que cada vez mais mães oferecem telas aos filhos pequenos para acalmá-los

Smartphone: a chupeta do século 21?

Na semana passada, o programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, trouxe a história de uma mãe de três filhas (duas gêmeas), entre 1 e 3 anos, que têm tablet. A mãe alega que precisa dessa "babá eletrônica" nas horas de caos. A família também tem uma babá real, de carne e osso para ajudar - no caos ou não.

Coincidentemente, na mesma semana, a Ipsos, empresa de pesquisa, divulgou um levantamento sobre hábitos de consumo de crianças de 0 a 9 anos, mostrando que de 25% a 30% das mães entrega os smartphones - ou outros gadgets eletrônico com tela, como tablets - para os filhos com o objetivo de consolá-los. A pesquisa também mostrou que assistir TV é a atividade diária comum de 93% das famílias e crianças entrevistadas e que 57% dos kids veem os programas televisivos comendo algo.   

Que a TV ligada é o antigo rádio da família brasileira - ou seja, o eletrodoméstico presente em mais de 95% dos lares brasileiros e ligado o tempo todo - desde o final do século 20, isso é fato mostrado pelo IBGE. A novidade é a crescente cena de crianças em frente de telas móveis na hora das refeições, principalmente em restaurantes.

Como escrevi no post sobre comer na frente da TV, também já recorri as telas para dar de comer aos meus filhos, ao celular em restaurantes... Um dia ou outro, principalmente quando a criança está mais irrascível, vá lá. Ou num dia de preguiça. Mas sempre? Eu usei desse recurso, mas logo coloquei um basta. Pois me incomodou demais e logo vi que era uma armadilha.

Porém, o que tenho presenciado, tem me assustado: pais jovens de bebês novinhos recorrendo as telas para manter a criança quieta e calma na hora da refeição. Até em restaurante de hotéis, de resorts. Se a mesa é o lugar para compartilhar momentos, firmar e renovar laços familiares, como fazer isso com uma tela no meio? Por que levar a criança? Como perguntou a jornalista Mônica Brandão neste texto. 

Como dar limite, aprender o motivo da birra ou do choro infantil se a criança tem um smartphone à mão? Será que estou sendo conservadora, ultrapassada, chata demais? Só para não esquecer: educar dá um baita trabalho, não existe espaço para preguiça, nem espaço para o medo de dizer não.

Beijos,

Patricia

PS: A pesquisa da Ipsos chamada de EGM BABIES (0 a 5 anos) e EGM KIDS (6 a 9 anos), estudos multimeios e de consumo, uso de produtos, serviços, hábitos de lazer e traços de comportamento, foi realizada com meninos e meninas. Foram feitas 2.500 entrevistas, de 20 de agosto a 20 de setembro de 2013, nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Interior de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador, Distrito Federal e Goiânia.

Crédito da foto: Ipsos/Divulgação