Viagem

Crianças viajando desacompanhadas

Por Priscilla Perlatti

O que é preciso para permitir que os menores embarquem sozinhos e cheguem seguros até o destino final

Crianças viajando desacompanhadas

Outro dia encontrei uma vizinha querida no elevador. Ela estava aflita e assim que apertou o botão do nosso andar começou a me contar o motivo:

- Acabei de deixar meu filho de seis anos no portão de embarque do aeroporto. Está indo sozinho para Fortaleza ficar uns dias com minha mãe. Mal dormimos essa noite de tanta ansiedade! Ele porque não via a hora de embarcar - pois me disse, já era grande para ir sozinho - e eu porque não via a hora dele desembarcar, com notícias de que correu tudo bem!

Conversamos mais um pouco e ela me explicou que as cias aéreas disponibilizam (mediante uma taxa) um funcionário para cuidar do menor desacompanhado. A criança ganha um crachá, identificando sua condição, e que num voo relativamente curto (são cerca de três horas entre São Paulo e Fortaleza) não exigiria tantos cuidados assim.

Logo que nos despedimos, percebi um par de ouvidos mais do que atentos em toda a conversa.

- Se ele tem seis anos e foi viajar sozinho, porque eu, que tenho oito, ainda não fui?

Era Stella, minha primogênita, clamando independência.

Confesso que flertei com a ideia de deixá-la visitar os tios completamente só (a-do-ro um frio na barriga!), por isso fui buscar mais informações de como a coisa toda funciona.

- É fundamental estar com a documentação em dia! RG ou passaporte e a autorização judicial de viagem de menores brasileiros.

- Verificar a política de cada cia. transportadora (seja aérea ou rodoviária) e contactar o serviço de supervisão de menores desacompanhados. No blog da TAM existem alguns textos que detalham o processo de embarque de menores.

- No caso das cias. aéreas, somente crianças entre 5 e 12 anos podem utilizar esse serviço. Menores de 5 anos não podem embarcar sozinhos e para os adolescentes, entre 12 e 17 anos, é opcional. Há uma taxa (por trecho) de cerca de R$ 100 para voos nacionais e USD 75 para voos internacionais (valores podem variar), que garante que o menor receba uma atenção especial no voo e o acompanhamento de um funcionário durante todo o tempo, até que seja entregue a um adulto responsável no destino final.

Conversando com outras pessoas que já passaram por essa situação, todos me relataram experiências bem positivas.

A Paula Avila Lopes me contou: “Quando eu tinha sete anos eu viajei sozinha de avião, sem pai, sem mãe e sem acompanhante, fui de Porto Alegre para o Rio de Janeiro visitar a minha dinda. Senti um medinho sim, mas na verdade me senti o MÁXIMO, super independente e causando no colégio. Lembro que fui assunto da aula por algumas semanas: “A mãe da Paula é louca, ela viajou sozinha de avião", se divertindo ao relembrar essa aventura.

Já a Danielle Luppi, que mora na capital da Argentina, dividiu comigo o ponto de vista da mãe que deixou a filha de sete anos fazer o trajeto Rio de Janeiro - Buenos Aires: “Creio que para a criança, o mais complicado é essa situação de ter que ficar sozinha tanto tempo, além de já estar viajando sozinha, No caso dela, tinha a motivação de voltar para casa e ela sabia que se desistisse, teria que esperar por mais tempo para que alguém a pudesse trazer. Eu, por exemplo, como mãe, fiquei  muito apreensiva para ela entrar no avião e voltar para casa. Estava morrendo de saudades. Tudo o que mais queria era que chegasse logo e bem".

De qualquer maneira, para quem vai colocar os filhos sozinhos em um ônibus ou em um avião, seja por motivos de lazer (viagens de férias, visitas a tios e avós) ou por necessidade (é bem comum o caso de crianças que têm pais separados e precisam viajar para vê-los) o melhor a fazer é se informar com a transportadora ou companhia e pedir dicas e informações para quem já passou por isso. Assim é possível ter um pouco mais de tranquilidade para quem vai e também para quem fica.

Boa viagem!

 

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