Viagem

E quando é o seu filho que incomoda os outros durante o voo?

Por Priscilla Perlatti

Reclamar das crianças no avião é fácil. Difícil é dar um jeitinho nelas

E quando é o seu filho que incomoda os outros durante o voo?

Um dos assuntos que mais rende debates acalorados dentro do universo viajante-familiar é a velha sugestão de voos livres de crianças. Segundo os defensores dessa idea extrema, deveriam ter rotas aéreas onde a presença de menores de doze anos fosse proibida. Assim, os passageiros que supostamente sabem se comportar (os tais radicais afirmam que esse tipo de gente são os adultos, o que eu discordo veementemente) poderiam aproveitar seu voo tranquilamente, sem o incomodo de choros ou correrias entre os assentos.

Quem já viajou com crianças sabe que o percurso aéreo pode ser tenso. Se você é o passageiro desacompanhado, as chances são grandes de passar a nutrir uma esperança (mesmo que não intencional) para que seu assento seja longe dos pequenos viajantes. Se você é o acompanhante da comitiva mirim, torce para que o suprimento de distrações à bordo (lanchinhos, livros, jogos) seja suficiente para manter os ânimos controlados durante o percurso.

Mas, e se mesmo com todo o preparo, a situação sai fora do controle, o que fazer? Como controlar crianças cheias de energia ou irritadas dentro de uma aeronave?

Um conselho esperto (mas algumas vezes difícil de implementar) é manter a calma - sendo você o responsável pelo pequeno passageiro ou aquele que quer ficar longe dele.

No primeiro caso, isso ajuda a transmitir tranquilidade para a criança e confortá-la em seu incômodo, seja ele medo, dor ou tédio.

Já no segundo, manter o controle vai ser fundamental para você não ser o protagonista de um papelão na viagem. Outra medida que funciona é pedir ajuda para os comissários. Mesmo que nem sempre eles sejam os mais solícitos, é dever deles garantir um voo sem grandes turbulências (pelo menos as internas).

Certa vez embarquei em um voo com Stella ainda bebê - ela tinha um pouco menos de dois anos e eu estava grávida da Lia. Assim que nos acomodamos em nossos assentos, ela teve um ataque de peraltice e começou a gritar, por diversão. O comissário, vendo que eu não estava dando conta de conter a animação da minha filha, agachou ao lado dela, ofereceu balas da cestinha e começou a conversar com a pequena, distraindo-a da bagunça. Foi eficiente e resolveu o incômodo.

A blogueira americana Wendy Perrin escreveu um artigo bem humorado (e um tanto sarcástico) em sua coluna no site da revista de turismo Condé Nast Traveler (em inglês) dando outras sugestões divertidas do que fazer quando uma criança não para de chutar seu assento no avião: “Coloque o bicho de pelúcia favorito da criança no bolso que fica na frente do assento. Ela não vai querer chutar seu animal preferido”. Outra: “Leve uma foto grande da avó da criança e cole na parte de trás do assento da frente. Você não pode chutar a vovó".

As dicas, inusitadas, provocaram a fúria de alguns dos comentaristas, que inevitavelmente levantaram a questão dos voos livres de crianças. Sugestões como essas evidenciam que muitas pessoas ainda têm uma severa falta de flexibilidade. Por isso, o exercício da convivência pacífica entre os seres humanos ainda é uma habilidade a ser conquistada.

(Foto: Getty Images)