Viagem

O lado oceânico das praias do Rio de Janeiro

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Pouco além da Zona Sul carioca da Baía de Guanabara, praias lindíssimas em meio a reservas florestais são uma oportunidade de tirar os filhos da rotina das grandes cidades

O lado oceânico das praias do Rio de Janeiro

Imaginem três crianças de apartamento, que moram na maior cidade da América Latina, de repente poderem sair de bicicleta sozinhas pelas ruas de um bairro dentro de uma reserva florestal?

Parece um sonho e foi como meus filhos se sentiram quando descobrimos uma pousadinha superfofa em Itacoatiara, um bairro distante de Niterói (RJ), cercado pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca. A liberdade de ir e vir de bike, sem grandes preocupações, foi a primeira satisfação dos meninos, então com 10 e 13 anos.

Passear calmamente pelas ruas do bairro, todas com nomes de flores - e vejam que bucólico, em sua maioria, não asfaltadas -, encantou-os e criou um hábito que se estenderia por dias ou semanas se a gente pudesse ficar por lá.

As casas do entorno são de alto padrão, o que também traz outro encanto: passear com calma, até a pé, para ver a arquitetura. A lei orgânica do município de Niterói impõe regras rígidas para construção no bairro, o que impede que prédios tenham mais de dois andares, garantindo a vista e poucas sombras.

A única desvantagem é que este lado bucólico deixa pauslitanos sem seus confortos de cada esquina. O número de estabelecimentos comerciais também é bastante limitado e a gente tem que se virar com poucos cercadinhos e os quiosques simples que ficam à beira da praia (que é distante do asfalto, por conta da topografia), o que também garante areias limpas e um jeito de praia intocada pelo homem.

Em volta da praia, há uma vegetação de restinga, cortada apenas por alguns caminhos estreitos usados por banhistas a caminho do mar. Fui com Manuela ainda bebê e esta parte foi um pouquinho cansativa. No primeiro dia, já percebi que carrinhos não ajudavam e recorri ao sling para chegar à areia e ao mar, que tem águas geladas, no estilo Cabo Frio e, pelo mesmo motivo, uma corrente gelada que vem do sul da África. 

E o mar, puxa! Esse é um capítulo à parte desta região, que fica a pouco mais de 1 hora da cidade do Rio de Janeiro. Ao contrário das praias da Zona Sul do Rio, voltadas para a Baia da Guanarabara, tem mar aberto, com águas agitadas perfeitas para o surfe. Não é à toa que em Itacoatiara são disputadas competições do esporte. Por isso, a única praia da região com águas tranquilas, Itaipu, é a mais procurada para quem quer deixar as crianças livres na água.

Quando fomos, optamos por lá porque os meninos eram grandes (mas ainda obedientes, ficando na nossa companhia quando no mar) e Manuela era muito pequena para correr para água sozinha.

Como minha irmã mora no centro de Niterói, conhecemos a cidade de muitas férias. Quando os garotos eram pequenos, tivemos dias divertidos na enseada de Itaipu, além de podermos apreciar alguns finais de tarde na praia de São Francisco - que tem a melhor vista do Rio de Janeiro e fica perto do Parque da Cidade de Niterói.

Na nossa “to-do-list” da região oceânica ainda estão a Praia do Sossego, entre Piratininga e Camboinhas, que só é alcançada através de trilha ou de barco e jet ski, pois queremos muito ver este monumento natural, com vegetação típica de restinga.

E queremos fazer caminhadas pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca, que fica entre Niterói e Maricá, e foi declarado "reserva mundial da biosfera" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 1992.

Curiosidade: No século XIX, a região atualmente abrangida pelo parque foi visitada pelo naturalista inglês Charles Darwin, o que contribuiu para a formulação da sua teoria da evolução das espécies. ;)

(Fotos: Acervo pessoal)