Saúde e Bem-estar

As consequências do bullying

Por Andrea Alves

Saiba como a agressividade entre as crianças pode se tornar um problema emocional e social muito sério

As consequências do bullying

Bullying é uma palavra em inglês que significa intimidação ou assédio moral. Pode ocorrer em qualquer âmbito social, mas se tornou mais conhecida para denominar os fenômenos de violência entre crianças e adolescentes.

A criança que exerce o "bullying" o faz para se impor sobre os outros através de constantes ameaças, insultos, agressões, humilhações, que podem durar anos. A vítima sofre calada, na maioria dos casos. Não divide nem mesmo com os pais a intimidação, a dor, a angústia e o medo, que podem causar sérios traumas físicos e psicológicos, com alguns casos mais extremos chegando ao suicídio.

Segundo afirmam os especialistas, o fenômeno da violência escolar, ambiente onde mais ocorrem os casos de bullying, atinge níveis alarmantes.

Uma pesquisa divulgada em outubro de 2008 pela organização não-governamental Plan International, que atua em 66 países em defesa dos direitos da infância, apontou que 70% dos 12 mil estudantes pesquisados em seis estados brasileiros afirmaram terem sido vítimas de violência escolar.

Outros 84% desse total apontaram suas escolas como violentas. A violência, no caso, compreende também abusos sexuais e físicos, além do assédio moral. Em países da Europa, como Portugal, por exemplo, esse número chega a 35%.

Não existem dados para afirmar que os casos de bullying têm crescido nas escolas, já que o fenômeno, enquanto problema social, foi levantado recentemente e não há pesquisas mais antigas.

O que se observa é que os casos de agressões físicas e psicológicas praticadas nas escolas, entre alunos e também contra professores, têm sido mais flagrados e expostos pela mídia.

O relatório da Plan International é parte da campanha global Aprender Sem Medo, cujo objetivo é promover um esforço mundial para erradicar a violência escolar. O estudo também indicou que cerca de 1 milhão de crianças em todo o mundo sofrem diariamente algum tipo de violência nas escolas.

"Nós identificamos que o bullying é hoje a prática mais presente na violência escolar. Com o conselho tutelar e outras ações externas, o castigo corporal não acontece tão facilmente; já o bullying tem implicações psicossociais nos indivíduos. Mas não se tem essa consciência, é uma temática nova", explica o pesquisador Charles Martins, da Plan Brasil.

O estudo aponta que as vítimas dessa prática perdem o interessem pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. "Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e suicídio", diz o relatório.

Martins alerta que o comportamento não é tão fácil de ser identificado, mas pode ser configurado como bullying quando as agressões verbais e emocionais se tornam repetitivas. "O professor precisa identificar em sala de aula as crianças que têm um padrão de vítima como timidez, problemas de rendimento e se tornam em alguns momentos antissociais", indica.

As estratégias para combater a violência escolar são mais eficientes quando concentradas na própria escola, com o estabelecimento de normas claras de comportamento, treinamento de professores para mudar as técnicas usadas em classe e a promoção da conscientização dos direitos infantis.

Mas o olhar atento dos pais é fundamental, observando o comportamento dos filhos e dialogando sobre o assunto.

(Foto: Arquivo pessoal - Evelyn Muller)