Saúde e Bem-estar

Entendendo a menopausa precoce

Mais frequente do que imaginamos, a falência ovariana ocorre em mulheres com menos de 40 anos e pode ser tratada com reposição hormonal

Entendendo a menopausa precoce

Muito se fala sobre a data natural da vida da mulher que se caracteriza pelo encerramento dos ciclos menstruais e ovulatórios. Entretanto, não é muito comum se discutir sobre a menopausa precoce, embora esse fenômeno afete 1% da população feminina.

Segundo Fábio Muniz, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Cristóvão, a menopausa precoce não se trata de um distúrbio hormonal, mas da falência ovariana na mulher, que acaba por gerar a alteração hormonal característica da fase.

“Acontece quando os ovários da mulher entram em falência e sua última menstruação ocorre antes dos 40 anos de idade. Para tal diagnóstico, a mulher precisa estar por pelo menos um ano sem menstruar e ter exames laboratoriais hormonais que confirmem o quadro”, explica Fernanda de Araújo Cardoso, professora do curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina (FASM).

É importante, no entanto, estar atento às diferenças entre a menopausa precoce e o climatério, que representa a transição da vida reprodutiva da mulher para a não-reprodutiva, englobando desde o período de pré até o de pós-menopausa, quando todos os sintomas dessa ocorrência são normalmente vividos pelas mulheres.

De acordo com Alberto d’Auria, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, o climatério inicial começa aos 35 anos, quando a produção de estrógeno cai e a fertilidade é reduzida. “Porém, o útero continua sangrando ciclicamente”, diz.

Para identificar a ocorrência, portanto, além de ter menos de 40 anos, é preciso apresentar a amenorreia - ou seja, a parada da menstruação por mais de três meses - ou irregularidades no ciclo menstrual, ambas situações associadas aos sintomas típicos da fase.

“Alguns dos sintomas indicativos são: a irregularidade menstrual, ondas de calor súbito, insônia, perda de memória, irritabilidade, fadiga excessiva e sudorese noturna”, comenta o Fábio Muniz.

É importante lembrar ainda que o uso contínuo de anticoncepcionais hormonais pode levar a um quadro de pausa do sangramento. No entanto, trata-se de uma situação reversível e não se assemelha à menopausa precoce.

O que há por trás

Não existe uma causa exata para o surgimento do quadro, uma vez que pode ocorrer por diversos fatores, dentre os hereditários, os psicossomáticos e os tratamentos para doenças.

“Problemas genéticos, por exemplo, como alterações cromossômicas, podem fazer com que os ovários já sejam formados com um número limitado de folículos e, consequentemente, de óvulos”, lembra Fernanda de Araújo Cardoso.

Além disso, substâncias tóxicas utilizadas em tratamentos contra o câncer, como quimioterapia e radioterapia, ou toxinas ambientais, como é o caso do tabaco, influenciam no surgimento.

“Em média, as fumantes entram em menopausa dois anos antes das não-fumantes, mas em alguns casos essa diferença pode ser ainda maior”, lembra o ginecologista do Hospital e Maternidade São Cristóvão.

Alberto d’Auria acrescenta que fatores psicossomáticas, como a dificuldade da mulher de enfrentar a maturidade plena e independência psicossocial, também são causas frequentes.

Por fim, infecções – como caxumba, malária e varicela – e doenças autoimunes – lúpus, inflamações na tireoide, diabetes ou infecções virais, entre outras – ainda podem ser causas para o fenômeno.

Tratamento possíveis

“Após a confirmação do diagnóstico, normalmente o tratamento ocorre através de reposição hormonal, pois essas mulheres apresentam muito mais riscos de desenvolver doenças cardíacas e osteoporose”, lembra a professora da Faculdade Santa Marcelina.

Além disso, orientações de uma dieta rica em cálcio e em vitamina D e de exercícios físicos, bem como o apoio psicológico, são essenciais para a mulher que entra em menopausa precoce.

É importante, no entanto, que a mulher saiba que, para o tratamento ser efetivo, ele deve ter uma duração prolongada. “E a paciente não pode apresentar contraindicações absolutas para o uso de hormônios”, diz Fábio Muniz.

A menopausa precoce X a gravidez

Apenas entre 10% e 15% das mulheres que enfrentam o problema – mesmo com a reposição hormonal – são capazes de conceber naturalmente.

Por isso, segundo os médicos, para casos de menopausa precoce, as chances de gravidez aumentam muito quando é realizada a implantação de óvulos de outra mulher em seu útero, a chamada ovodoação, empregando juntamente as técnicas de fertilização in vitro.

(Foto: Getty Images)