Saúde e Bem-estar

A guerra dos partos

Por Marina Breithaupt

Há várias maneiras de se definir o "nascer": parto normal, humanizado, natural e as cesarianas necessárias ou eletivas. Afinal, essa luta é contra quem?

A guerra dos partos

Pensei muitas e muitas vezes se deveria ou não escrever sobre esse assunto. Normalmente o tema "parto" gera muita confusão, principalmente nas redes sociais.

Eu acho as discussões acaloradas sobre o assunto uma chatice: quem precisou ou escolheu uma cesárea se defende usando termos como "não sou menos mães" e as mais radicais defensoras de partos naturais afirmam ser "empoderadas" por terem parido de jeito X ou Y.

Via de parto, não defini a maternidade como já falei em um post lá no meu blog Petit Ninos. Mas não é esse viés que quero pegar aqui.

Passei por duas cesarianas. A primeira foi necessária e uma escolha minha. Babi estava em posição pélvica e me pareceu a maneira mais segura de trazê-la ao mundo. Entrei em trabalho de parto, dilatei quase até o final aguardando a chegada do meu médico e optamos em conjunto pela cirurgia. Foi a primeira da minha vida e a recuperação foi traumatizante para mim. Senti muita dor e incômodo no pós-operatório.

Já com o Theo, acreditava não poder nem tentar um parto normal. Não li quase nada sobre assunto e confiei na médica da nova cidade. Me parecia tudo ok! Pensei que entraria em trabalho de parto e faria outra cesárea.

Com 38 semanas, fui chamada ao consultório dela, já no PS da maternidade que escolhi e, para minha surpresa, ela achou os batimentos cardíacos dele fora do normal e afirmava ser por causa de uma circular de cordão.

Eu não tinha nenhum sinal de trabalho de parto e foi bem sofrido ir para o centro cirúrgico daquela maneira. Confiei nela. No dia seguinte ela precisou viajar para um seminário e no vídeo do parto não vimos nenhuma circular de cordão.

Esse pós-operatório veio acompanhado - além da dor normal - de uma dor aguda que não deu trégua por 30 dias, uma dor na coluna cervical que só me deixou após um tratamento longo com corticoides, provavelmente um problema decorrente da anestesia que tomei para a cirurgia.

Quando me vi grávida novamente pela terceira vez, a primeira coisa que pensei foi: "Meu Deus, vai ter que nascer daqui uns meses!!"

Assustada - mas já bem mais informada - comecei a peregrinação por consultórios médicos para saber se poderia tentar um parto normal mesmo com as duas cesáreas prévias. Consultei seis médicos que só faltaram rir do que eu me propunha a "sofrer".

Pesquisando, encontrei - e fui encontrada - por um médico que realiza partos normais humanizados e foi aí que meu horizonte começou a se abrir para um mundo que eu não conhecia e gostei muito: o universo dos partos naturais e tudo que o nosso corpo "sabe fazer" para trazer os bebês ao mundo.

O parto normal que eu acreditava que poderia ser possível era o hospitalar tradicional, cheio de intervenções desnecessárias e dolorosas, como macas em que a mulher fica em posição desfavorável para a descida do bebê, episiotomia por procedimento padrão, entre outros. Era para isso tudo que eu estava me preparando, além de uma analgesia, claro!

Acontece que, quando começamos a conversar com pessoas desse universo, cada vez mais vamos mergulhando em possibilidades e fica difícil aceitar outra coisa, mesmo sabendo de alguns riscos, como no meu caso. O que vai acontecer no futuro eu realmente não sei - a Bebê 3 é quem vai escolher. Só posso correr atrás das melhores possibilidades para nós duas.

Vejo tanta briga por conta da defesa de ponto de vista quando o foco das batalhas deveria ser o sistema que engana, não informa e não apresenta possibilidades, visando apenas a otimização de tempo (médicos e hospitais) e ganhos financeiros. Mulheres contra mulheres, ah... isso não leva a nada.

Deixem cada mãe com suas escolhas, desde que sejam escolhas conscientes - afinal, o que é ideal para uma pessoa simplesmente pode não ser para outra.

Em breve volto contando o desfecho dessa história!

(Foto: ShutterStock)