Saúde e Bem-estar

H1N1: há motivo para tanto pânico?

Por Renata Deos

Mães desesperadas, filas em clínicas particulares de vacinação, hospitais lotados e o governo antecipa a campanha da vacina da gripe para acalmar a população

H1N1: há motivo para tanto pânico?

Estamos em meio a um surto de gripe forte, isso não há dúvidas. Todos os médicos concordam.

Também é verdade que, neste ano, a gripe chegou mais cedo, ainda não se sabe bem o motivo. Uns acreditam que seja pela mudança climática, outros pelo fluxo dos turistas no Carnaval...

Mas todo ano tem surto de gripe - tanto que é por isso que o governo prepara uma campanha de vacinação, todas as vezes.

O que aconteceu de diferente é que, agora, em 2016, o vírus que está circulando mais e infectando mais é o H1N1, o mesmo que em 2009 também provocou bastante confusão por ser mais "agressivo" que os outros.

Mas isso não quer dizer que o H1N1 não existisse no ano passado ou em 2014, 2013, 2012... Ele apenas não se espalhou tanto entre as pessoas e com tanta rapidez.

De tudo que vi, li e assisti sobre o H1N1 e a gripe deste ano, me chocou muita coisa.

  1. As enormes filas nas clínicas particulares e as mães ficando horas em pé para conseguir uma vacina. Sem falar no custo das vacinas, que chegou a ser quadruplicado por conta da procura.
  2. A quantidade de gente que corre para o pronto-socorro e se expõe a várias doenças por causa desse medo de que o H1N1 possa matar.
  3. A velocidade que o noticiário tomou sobre o assunto, inclusive nas redes sociais, sempre com um tom de pânico. Tantas mortes, mas sem dizer as circunstâncias. Quem morreu era do grupo de risco? Já sofria problemas respiratórios? Era idoso?

 

Mas uma reportagem muito apropriada que assisti (e que recomendo a todos vocês) é a que passou no Fantástico com o doutor Drauzio Varella.

Nela, ele diz com todas as letras e em bom português: "pronto-socorro é o lugar ideal para quem gosta de pegar gripe. Ali as pessoas tossem, espirram e espalham os vírus com as mãos. Se você tem boa saúde, não está grávida e não sofre de doenças crônicas que debilitam a imunidade, gripe a gente trata segundo os conselhos da vovó: repouso e canja de galinha".

Eu me pergunto e pergunto a vocês também: será que nessa era de Facebook, em que a informação circula com tanta velocidade e entre tantas pessoas, não estamos dando espaço para circular o pânico envolto em boataria? Ódio envolto em opinião? Narcisismo envolto em falsa "selfie"?

Deixo essas questões para pensarmos um pouco mais.

Em todo caso, se você não abre mão das vacinas, anote:

  • 11 de abril: vacinação na Grande São Paulo - gestantes, crianças de 6 meses a 5 anos e idosos
  • 18 de abril: vacinação na Grande São Paulo - mulheres que acabaram de ter bebês, pessoas com doenças crônicas e outros grupos
  • 30 de abril: Campanha Nacional de Vacinação Contra Gripe

 

(Foto: PhotoDune)