Saúde e Bem-estar

O que pode estar por trás de uma “simples” dor de cabeça

Muitas vezes vista como um incômodo comum e automedicável, essa dor pode ser um sintoma de algo mais sério

O que pode estar por trás de uma “simples” dor de cabeça

Quem nunca reclamou de uma dor de cabeça e, logo em seguida, buscou um remedinho milagroso na gaveta, que afastasse o incômodo como num passe de mágica, que atire a primeira pedra. Se identificou?

Pode até parecer coisa boba, mas não é. Uma dor de cabeça é capaz de mascarar alguma doença muito mais complicada. A publicitária Rosiane Pacheco, 41 anos, sofreu de fortes dores de cabeça por 6 meses. Chegou a tomar 8 comprimidos para alivar o incômodo num mesmo dia.

Os remédios passaram a não fazer mais efeito. “Quanto mais eu tomava, mais refratária eu ficava a eles, ou seja, eu me tornei imune ao remédio. Segundo meu neurologista, essas dores fortes e o uso de medicamentos fizeram alguns pontos cegos no cérebro. Após um forte estresse, eu tive um AVC isquêmico como resultado de muito tempo de estresse ininterrupto”, relembra.

E é justamente por causa do risco de esconder alguma doença grave que a dor de cabeça não deve ser ignorada, nem tratada com automedicação. Se ela se tornar recorrente, o melhor é procurar um médico para avaliar o que pode estar por trás do incômodo.

“Nos pacientes que nunca tiveram dor de cabeça, é preciso se preocupar com todas as que ocorrem pela primeira vez. Nos pacientes que já sofrem dor de cabeça tipo enxaqueca, é necessário se preocupar todas as vezes que ocorrerem dores diferentes daquelas que o paciente apresentava, tanto mais fortes, mais duradouras ou acompanhadas de algum sinal diferencial”, explica o neurocirurgião Francinaldo Gomes, especialista em neurocirurgia de epilepsia e distúrbios de movimento pela Universidade Federal de São Paulo/ Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM).

Segundo ele, há várias doenças comuns que têm a dor de cabeça como um dos sintomas: tumor cerebral, acidente vascular cerebral (isquêmico ou hemorrágico), trombose venosa cerebral, hidrocefalia (acúmulo de líquido na cabeça) e meningite.

Quando a dor de cabeça vier acompanhada de outros sintomas, é preciso ficar alerta. Veja:

  • Tumor cerebral: além da dor de cabeça, podem ocorrer náuseas, vômitos, crises convulsivas e dificuldade para movimentar uma determinada parte do corpo (dependendo da localização do tumor).
  • Acidente vascular cerebral (AVC): entre os sintomas estão a dor de cabeça, mais perda de força ou de sensibilidade em uma determinada parte do corpo (dependendo da localização da isquemia ou hemorragia). Podem ocorrer náuseas, vômitos, crises convulsivas e sonolência excessiva, além de fala arrastada.
  • Trombose venosa cerebral: ocorre principalmente em mulheres jovens que usam anticoncepcional. Elas costumam sentir dor de cabeça, náuseas e vômitos intensos, crises convulsivas e sonolência excessiva. O problema pode levar ao coma e morte se não for tratado rapidamente.
  • Hidrocefalia: não bastasse a dor de cabeça, a pessoa pode apresentar náuseas, vômitos, crises convulsivas e sonolência excessiva, além de perda progressiva da visão e dificuldade para caminhar. Se ocorrer em crianças pequenas, pode provocar o crescimento excessivo da cabeça.
  • Meningite: a pessoa sente forte dor de cabeça, ma também febre, náuseas, vômitos, crises convulsivas, sonolência excessiva e rigidez de nuca.

 

Todas as dores de cabeça que forem acompanhadas dos sinais acima devem ser diagnosticadas e tratadas o mais rápido possível.

“Os sinais de alerta, aos quais deve-se ficar atento, são dores de cabeça que surgem subitamente, de intensidade forte e que não melhoram com o uso de medicamentos. Além disso, é preciso ficar alerta a todas que forem acompanhadas de febre, crises convulsivas ou de alteração do nível de consciência - confusão mental, esquecimento e agressividade. Nesses casos, a recomendação é procurar um médico rapidamente”, ressalta o neurocirurgião.

Quando uma coisa leva a outra

Por sorte, Rosiane se livrou do problema mais sério. “Depois do susto, parei de fumar, de tomar pílula e fui desacelerando. Fiz várias ressonâncias porque existia a hipótese de esclerose devido aos pontos cegos. Porém, esses pontos não aumentaram nem de tamanho nem de quantidade”, completa a publicitária, que não pode mais fumar, nem tomar anticoncepcional e que precisa fazer atividades para manter um equilíbrio, como caminhar ou dançar.

(Foto: Getty Images)