Saúde e Bem-estar

Parar de reclamar é só começar!

Aprenda a fazer uma autoanálise e siga dicas para ficar livre desse hábito nada saudável

Parar de reclamar é só começar!

“Eu fiquei muito assustada quando tive consciência do quanto reclamava. Era muito mais do que imaginava”. A declaração é da jornalista Belisa Rotondi, 29 anos, ao relembrar o desafio que a fez ficar sem reclamar durante 21 dias seguidos, há cerca de seis anos.

O trânsito parado, o calor que não vai embora, o prazo apertado no trabalho... Tudo parece motivo para um comentário ácido. É que não tem jeito: reclamar faz mesmo parte das nossas vidas.

“Somos programados para isso biologicamente, graças ao sistema límbico, área do cérebro que modula nossas emoções e comportamento, capaz de nos alertar quando algo desagrada”, explica Ricardo Monezi, pesquisador da Unifesp e especialista em Medicina do Comportamento.

O mesmo acontece do ponto de vista psicológico, já que ainda bebês aprendemos a informar o que nos agrada e desagrada. Levamos esse hábito para todos os estágios da vida pois, socialmente, reclamar é uma maneira efetiva de conseguir atenção. Entretanto, a dose é aquele detalhe capaz de transformar um hábito comum em um veneno bem amargo.

“Reclamar não ajuda a eliminar frustrações e tensões. Geralmente os reclamões são negativos e acreditam que tudo vai dar errado. Isso pode causar um afastamento e essas pessoas tendem a cair em um ciclo vicioso, correndo até o risco de desenvolverem doenças como depressão, ansiedade e vitimismo”, alerta Claudia Maia, terapeuta e instrutora de yoga.

Outro ponto de atenção é que os insatisfeitos crônicos costumam apresentar um perfil básico. “São pessoas que não gostam de ser contrariadas, extremamente críticas em relação a si mesmas e até egoístas dentro do seu ponto de vista”, ressalta Ricardo Monezi. E a busca por uma perfeição que não existe só gera mais e mais frustração.

21 dias sem reclamar

Quando Belisa Rotondi topou com o livro “Pare de Reclamar e Concentre-se nas Coisas Boas”, do autor Will Bowen, na redação onde trabalhava, logo acreditou que o desafio pudesse render uma boa matéria e se ofereceu como cobaia. “A proposta consistia em passar 21 dias seguidos sem reclamar. A cada falha, a contagem deveria ser zerada”, explica a jornalista.

Só para ficar 24 horas sem nenhum tipo de comentário negativo foi preciso uma semana inteira de tentativas. Como reclamar é um hábito, o principal desafio foi justamente sair dessa “normalidade” de uma hora para outra.

“Precisei quebrar padrões. Iniciar uma conversa passou a ser algo diferente, pois temos o costume de puxar assunto por algo negativo”, lembra Belisa. Ela também passou a controlar seus impulsos e a racionalizar muito mais antes de responder algo de cara. Além de aprender a se manter calada diante de algumas situações.

Cerca de 4 meses depois, os 21 dias foram concluídos. “Acabei me tornando uma pessoa mais consciente do meu comportamento e passei a reparar mais nas coisas positivas. Tive até a impressão que o até trânsito fluiu melhor naqueles dias”, lembra.

De lá pra cá, muitas reclamações já foram feitas, mas definitivamente em menor quantidade. “É como uma dieta detox. Você se priva de algo por um período, mas não significa que nunca mais vá experimentar aquilo. Trata-se de uma tentativa de encontrar o equilíbrio”, compara.

Comece já!

Rolou uma identificação até aqui? Então é hora de colocar em prática alguns exercícios elaborados com a ajuda dos nossos experts para regular o seu “reclamômetro”.

  1. Faça uma autoanálise. Ao final dos dias, vocês costuma se sentir satisfeita ou descontente? Seus amigos e familiares estão próximos ou afastados? Quando sai de casa é capaz de se divertir ou só foca nas coisas ruins?
  2. Tenha consciência do quanto você reclama. “Adaptei uma das técnicas ensinadas no livro e passei a mudar um anel de dedo toda vez que reclamava. Ele simplesmente não parava em um mesmo lugar”, conta Belisa.
  3. Seja menos reativa.
  4. Pense antes de reclamar. A reclamação vai surtir algum efeito imediato ou é possível seguir por uma outra via?
  5. Avalie os objetivos da sua reclamação e a quem ela pode abalar. Analise se sua atitude pode causar o bem ou sofrimento para outras pessoas.
  6. Foque menos nas coisas ruins e mais nas coisas boas.
  7. Desenvolva o hábito de agradecer.
  8. Preste atenção enquanto mãe. “Crianças e adolescentes mimados têm tudo para se tornarem adultos intolerantes e reclamões”, ressalta o pesquisador da Unifesp.
  9. Aceite o que você não pode mudar. “A vida fica mais leve quando percebemos e admitimos que só podemos mudar nós mesmos, que gerenciamos nossos próprios pensamentos e que podemos nos transformar com amor”, finaliza Claudia Maia.

 

(Foto: Getty Images)