Saúde e Bem-estar

Quando o chocolate vira vilão

Nem todo chocolate é benéfico – e a diferença entre o veneno e o remédio é a dose!

Quando o chocolate vira vilão

Se o chocolate já é uma perdição no dia a dia, na Páscoa é quase impossível não consumir as lascas dos ovos com a desculpa de celebração.

E as recentes pesquisas científicas endossam nossos pretextos para cair de boca nessa delícia: estudos associam o consumo de cacau, sua matéria-prima, à prevenção de males como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e depressão.

Outras análises mostram que o alimento também fortalece o sistema imunológico e ainda combate o envelhecimento precoce da pele. Entre os responsáveis por tantos benefícios estão os flavonoides, um poderoso antioxidante.

Mas nem pense em devorar um ovo inteirinho de chocolate – nem mesmo na Páscoa. Um ovo de 200 g pode ter até 1.000 calorias!

“O chocolate é um alimento de alta densidade energética e alguns tipos têm uma grande quantidade de açúcar e gordura. Se consumido em excesso, pode contribuir para o ganho de peso”, explica a nutricionista Alessandra Luglio, do Espaço P4B Saúde Personalizada.

É... Como tudo na vida, o perigo está no exagero. Mesmo para quem está dentro do peso ideal, o recomendado consumir, no máximo, 30 g de chocolate por dia, o que equivale a dois ou três quadradinhos de uma barra grande.

“Porém, é importante ressaltar que essa recomendação não deve ser generalizada e é necessário uma avaliação nutricional individual”, alerta Alessandra.

Então atenção ao rótulo na hora de escolher a barra ou o ovo de Páscoa: não são todos os chocolates que promovem benefícios à saúde.

“A maioria dos chocolates é composta por cacau, manteiga de cacau, açúcar e aromatizantes artificiais. As propriedades benéficas estão presentes no cacau, ou seja, quanto maior o teor de cacau, maiores os benefícios. Por isso, o recomendado é consumir moderadamente chocolate com pelo menos 60% de cacau”, afirma a nutricionista.

Você sabe a diferença?

  • Chocolate ao leite: tem na fórmula entre 25% e 40% de cacau, além de manteiga de cacau, açúcar e leite. É mais doce e mais calórico que o chocolate meio-amargo e o amargo.
  • Chocolate meio-amargo: possui aproximadamente 40% de cacau na composição e coloração mais escura por não conter leite. No entanto, tem mais açúcar do que a versão amarga, o que suaviza o sabor.
  • Chocolate amargo: é a versão amiga da dieta e da saúde. Tem menos açúcar e uma maior concentração de cacau puro, de 60% a 90% – lembrando que, quanto maior a porcentagem, mais amargo será o chocolate.
  • Chocolate diet: recomendado para diabéticos, tem a mesma composição do chocolate ao leite; somente o açúcar é substituído por adoçantes. Viu uma barra diet e achou que era a solução para a dieta? Cuidado! Como apresenta mais gordura, também é rica em calorias.
  • Chocolate branco: se você quer obter os benefícios do chocolate, fuja da versão branca! “O chocolate branco não possui cacau na composição. Além de não apresentar propriedades benéficas, tem elevado valor calórico”, diz Alessandra.

 

Atenção ao rótulo!

Teoricamente, o chocolate meio-amargo não leva leite na fórmula. No entanto, algumas marcas adicionam o ingrediente ao produto. Por isso é necessário verificar sempre a embalagem para não haver confusão.

“Os ingredientes descritos nos rótulos estão em ordem decrescente, ou seja, o que aparece primeiro está em maior quantidade no produto”, explica Alessandra. Se aparecer açúcar no começo, quer dizer que há mais quantidade dele do que os demais ingredientes.

Para escolher um bom chocolate, priorize os produtos com poucos ingredientes e verifique se cacau ou massa de cacau aparece no topo da lista.

Na Páscoa, o chocolate está liberado para as crianças?

Não, não! Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde não recomenda o consumo de açúcar no primeiro ano de vida.

“O ideal é que não se ofereça doces artificiais até os 2 anos. A introdução de alimentos ricos em açúcar muito cedo pode alterar a flora intestinal e, consequentemente, a digestão e a absorção de nutrientes dos pequenos”, alerta Danielle Fontes de Almeida, nutricionista infantil do Espaço P4B Saúde Personalizada.

No entanto, o consumo deve ser controlado em todas as idades, já que os chocolates em geral possuem muito açúcar e gordura e podem contribuir para o sobrepeso.

“Não existe uma quantidade máxima indicada para crianças, mas o recomendado é que o consumo de açúcar não seja superior a 25 g por dia”, indica Danielle.

Dois quadradinhos de chocolate – de preferência com 50% ou mais de cacau – podem ser oferecidos ocasionalmente. A criança pode estranhar o gosto amargo no início, principalmente se já tiver o hábito de comer doces e chocolate ao leite. A dica é iniciar com o meio-amargo e aumentar a quantidade de cacau conforme ela aceitar.

(Foto: Getty Images)