Saúde e Bem-estar

Você usa pílula anticoncepcional?

Por Samantha Shiraishi
@maecomfilhos

Falamos pouco sobre os efeitos ruins deste tratamento que, desde o final da década de 1960, é considerado o grande libertador das mulheres. Mas eles existem, sim!

Você usa pílula anticoncepcional?

Não sei como foi com vocês, mas me causou um mal-estar ver a capa de uma revista que falava dos perigos dos anticoncepcionais e mostrava uma mulher que tinha perdido os dedos dos pés em decorrência dos efeitos colaterais do medicamento.

Comecei a dar conta da gravidade do tema e da forma leviana como adotamos a pílula no Brasil quando eu morava no Japão. Eu era repórter num jornal em Tóquio quando, em 1999, a sociedade japonesa foi tomada por um furor com a liberação da pílula anticoncepcional feminina por lá.

Isso mesmo: 30 anos depois do lançamento no Ocidente, o Ministério da Saúde japonês ainda não tinha liberado o medicamento porque esperava estudos conclusivos de que não faria mal à saúde a mulher.

Detalhe: no Japão, não se vende medicamento com prescrição em farmácias (nelas, compramos só analgésicos e antitérmicos, pomadas simples, vitaminas e produtos de higiene). Os hospitais e clínicas é que manipulam a quantidade exata de medicamento que precisamos para cada tratamento e saímos da consulta com os “pacotinhos” em quantidade exata para o nosso caso. Se não melhorarmos no período, precisamos voltar ao médico para novos exames e, só assim, teremos mais remédios.

Um ano antes, eu mesma tinha parado de usar pílulas, ainda morando no Brasil, porque a bomba de hormônios me fazia muito mal. Felizmente hoje (por ter “fechado a fábrica” com laqueadura na última gestação, já com 40 anos), eu não preciso mais disso, mas o tema e as advertências continuam importantes.

Estou falando que não se deve usar pílula? Claro que não!

Mas ressalto que devemos sempre ter um médico nos acompanhando, especialmente se optamos por usar continuamente um medicamento. E por isso trouxe informações do médico ginecologista e obstetra Dr. José Bento de Souza. Informe-se e compartilhe com suas amigas ;)

Qualquer pessoa pode tomar pílula anticoncepcional?

Não. A mulher, antes de tomar pílula, precisa passar por uma consulta com o ginecologista a fim de saber se ela pode ou não tomar o medicamento. 

Há algum modo de prever a compatibilidade da pílula com a pessoa que não seja por tentativa e erro?

Não, não tem jeito. Só mesmo tomando o contraceptivo para saber se haverá algum efeito colateral. O que existe são algumas contraindicações que o médico vai detectar para melhor orientar a paciente, por exemplo: mulheres com doenças hepáticas, antecedentes de trombose, câncer de mama, câncer de útero e câncer de ovário não devem tomar pílula. Nestes casos, o médico indicará outros métodos contraceptivos.

Como fazer a escolha do melhor contraceptivo para a mulher?

A mulher sempre deve escolher o contraceptivo junto com seu médico. Somente um profissional pode indicar uma pílula que tenha menos efeitos colaterais, com menor taxa de hormônios e que seja mais adequada para aquela paciente específica. Por exemplo, para uma paciente que tenha a pele oleosa, o médico vai escolher uma pílula que vai ajudar a melhorar a pele; para aquela que tenha fluxo muito aumentado, vai indicar uma pílula que vá diminuir o fluxo; e assim por diante. Portanto, é o médico quem vai escolher junto com a paciente, e após exames ginecológicos, qual o método contraceptivo mais indicado.

Quais são os anticoncepcionais mais indicados?

Aqueles com menor dosagem hormonal. É sempre preferível escolher a pílula com menor dosagem, porque, em tese, terá menor efeito colateral para o organismo da mulher. Porém, não é regra. É preciso conversar com um médico para que ele possa identificar quais os métodos mais indicados para aquele organismo.

Pessoas que sofrem com problemas de circulação podem utilizar a pílula? 

As pílulas anticoncepcionais não são recomendadas para pessoas com problemas de circulação. No entanto, é necessário que a mulher converse com um ginecologista para avaliar o caso. Normalmente, os médicos recomendam as pílulas de baixa dosagem, que contêm menos hormônios e têm menos efeitos sobre a circulação.

Existe alguma pílula no mercado que ofereça maior risco para a saúde, como aumentar as chances de desenvolver trombose ou outras doenças?

Não. Todas as pílulas, independente do fabricante, podem aumentar o risco de trombose, dependendo do perfil da mulher, ou seja, se ela é obesa, tem histórico familiar ou é fumante. Vale lembrar que também existe risco de trombose para quem engravida ou anda de avião por longos períodos. Portanto, somente um médico pode indicar qual a melhor pílula ou método anticoncepcional que cada mulher deve utilizar.

Tomar anticoncepcional por muito tempo pode causar infertilidade?

Não, pelo contrário. A pílula anticoncepcional preserva a fertilidade da mulher e diminui os riscos de desenvolver endometriose, cisto no ovário e o aparecimento de mioma e pólipo uterino.

Há evidências de que o uso contínuo da pílula pode causar câncer? 

Não, não existe nenhuma evidência até hoje de que a pílula cause qualquer tipo de câncer. O que existe é uma evidência muito bem estabelecida de que a pílula protege a mulher contra o câncer do ovário e câncer de endométrio. Ao tomar a pílula, a mulher fica protegida também contra o aparecimento de miomas, endometriose, pólipos, cistos no ovário, alguns tipos de infecção e alterações benignas das mamas.

A pílula pode interromper o crescimento de pelos pelo corpo e rosto?

Pode. Algumas pílulas têm este efeito: diminuem a quantidade de pelos, principalmente aqueles anormais, que crescem em locais em que a mulher não está acostumada, como face e abdômen. Não são todas as pílulas que têm esse efeito, mas algumas foram desenvolvidas para esse fim. Inclusive, existem pílulas que melhoram também a acne e a oleosidade da pele.

Existe algum horário ideal para tomar o anticoncepcional?

Existe, à noite. É a melhor hora para tomar, é mais difícil de esquecer e, quando absorver aquele conteúdo hormonal pelo estômago, a mulher estará dormindo e, portanto, terá menos chances de efeito colateral.

Por que é necessário tomar a pílula sempre no mesmo horário?

Porque a quantidade de hormônio existente nas pílulas modernas é muito pequena. Então, se a usuária começar a variar o horário de tomada da pílula, além de ser mais fácil de esquecer, ela pode alterar também a quantidade de hormônio que vai inibir a formação de um folículo, interferindo, assim, na sua eficácia. Por isso é melhor tomar a pílula sempre no mesmo horário.

Se a pessoa tomar por muito tempo a mesma pílula, ela perde o efeito? De tempo em tempo é preciso trocar de marca? Por que?

Não, pelo contrário. Não é porque saiu uma pílula nova no mercado ou sua amiga está se dando bem com outra pílula que você deve trocar de marca. O importante é: se você está se dando bem com a sua pílula, está fazendo o seu controle médico a cada seis meses e não tem nenhuma contraindicação, deve continuar com a marca do seu anticoncepcional habitual. Não troque. Quanto mais tempo a mulher tomar a pílula, maior o efeito contraceptivo. E a indicação do uso da pílula depende de quanto tempo se quer evitar filhos.

Pílulas anticoncepcionais podem causar dependência? 

Não, não causam dependência. Se a mulher se sente mal quando interrompe o uso da pílula é devido à queda hormonal. Quando ela faz a pausa de 4 ou 7 dias, há uma queda hormonal e esse mal-estar é devido a essa queda. Isso não é dependência, mas ela pode conversar com o seu médico para saber quais os métodos contraceptivos mais indicados para o seu caso.

Na troca de anticoncepcional há riscos de uma gestação?

Não. Se o anticoncepcional for trocado sem interromper sua orientação de uso, não tem risco nenhum.

Na hora de comprar a pílula receitada pelo médico, posso escolher uma versão genérica ou similar?

A resposta é não. Embora alguns farmacêuticos digam que genéricos ou similares possuem a mesma função do remédio indicado na receita, é preciso prestar muita atenção, pois nem sempre a composição do remédio similar ou genérico é exatamente a mesma do medicamento indicado pelo médico e os resultados podem ficar prejudicados. Na dúvida, converse com o seu médico para saber qual a melhor opção.

(Foto: Freeimages)