Viagem e Férias

Viajar com as amigas é bom demais

Inspire-se nas histórias dessas mulheres que deram um tempo no relacionamento, na solteirice e até na família para curtir momentos inesquecíveis

Viajar com as amigas é bom demais

Poucas experiências são tão saudáveis e enriquecedoras quanto viajar. Há vários tipos de viagens que podemos fazer ao longo da vida e cada uma delas nos traz aprendizados e prazeres diferentes.

Seja qual for a idade em que isso acontece, ter a chance de estar ao lado de uma ou mais amigas nessas ocasiões é algo valioso, especial, único - coisa que nos damos conta principalmente quando lembramos das pessoas queridas que fazem parte da nossa vida.

Não é raro que, para quem vive essa experiência, o desejo de repetir a dose apareça com frequência.

Que o digam as amigas Clarissa Bravo Marinho Braga, 37 anos, assistente de revisão, e Clarice Moreira Menezes, 45, professora, do Rio de Janeiro (RJ), ambas na foto acima. Desde 2002 elas viajam juntas e transformaram a coleção de experiências no blog Viagem entre Amigas. De lá pra cá, percorreram as cidades históricas mineiras, pontos turísticos do Nordeste, Buenos Aires e Nova York e ainda querem mais, muito mais.

“Pode parecer bobagem para algumas pessoas, mas viajar não é só um hobby. Longe disso: é um projeto de vida. Dedicamos um tempo precioso para os nossos projetos e, ao chegar em casa e ver que tudo deu certo, sentimos o ápice do orgulho”, afirma Clarissa. Ela admite aprender muito com a amiga durante as jornadas. “A Clarice tem um conhecimento vasto em artes e isso me fascina, porque sou muito apaixonada pelo tema”, conta.

Segundo a designer Roberta Sacoda, 34 anos, de São Paulo (SP), a principal vantagem de viajar com as amigas é colocar em prática, de diferentes jeitos, a famosa cumplicidade feminina. “Sonhamos juntas antes, quando nascem as vontades e nos programamos; durante, aproveitando cada minuto; e depois, imaginando a próxima viagem e relembrando as antigas”, avalia.

A primeira viagem de Roberta (à direita na foto acima) para o exterior foi ao lado da melhor amiga, a bióloga Juliana Cristina Col Paz (à esquerda), 34 anos. “Viajamos para Paris aos 26 anos com o dinheiro que economizamos, um passeio muito desejado por nós duas. Nossos olhos brilhavam mais que a Cidade Luz! Foi inesquecível, mágico. Gostamos tanto que, como fazemos aniversário com 9 dias de diferença, voltamos para comemorar nossos 30 anos em Paris”, conta.

Autonomia e fortalecimento de vínculos

A deliciosa sensação de autonomia é algo recorrente nas viagens entre amigas. “A gente é obrigada a se virar pra valer e isso é ótimo. Não tem um homem para nos proteger, ajudar com mapas e direções ou mesmo carregar as malas. É uma aventura com desafios, mas muito divertida. Me fez sentir mais forte e independente”, avalia a funcionária pública Nanci Satiko Yokote (abaixo, à esquerda), 36 anos, de Osasco (SP).

Na companhia da dupla Roberta e Juliana, além da amiga Kalina Renata Naoki Endo (segunda à direita), 32 anos, Nanci percorreu as cidades de Paris, Bruges e Amsterdam. “Demos muita risada, fofocamos, dançamos, conhecemos lugares lindos, comemos muitos docinhos e fizemos várias comprinhas calmamente, sem ninguém apressando ou de cara feia. Foi ótimo!”, assegura.

E Nanci completa: “Mulheres, em geral, sempre fazem malas muito grandes com milhões de coisas que não podem faltar. Nem levamos em conta que podemos ficar em um hotel que não tem elevador. Nós, por exemplo, fizemos muito exercício para subir malas gigantes e pesadas por uma escadinha superestreita até o quarto, no último andar! Porém, por mais cansadas que estivéssemos e por maior que tenha sido o esforço, tudo foi muito válido!”, diz.

Diversão e passeios de “mulherzinha”

Para a arquiteta Julyana Bortolotto, 40 anos, de São Paulo (SP), compartilhar experiências com amigas queridas durante uma viagem “vale mais do que terapia”. “Com a vida corrida do dia a dia, temos pouco tempo para rir, falar bobagens, dividir as alegrias e ansiedades”, acredita. Recentemente, ela (a primeira à esquerda na foto abaixo) e mais quatro amigas passaram um fim de semana inesquecível em um hotel de Joanópolis, no interior paulista, conhecido pelos tratamentos terapêuticos.

“Participar de uma dança circular ao som de canções supersignificativas com elas foi muito bacana, além de divertidíssimo. Tudo era motivo para rirmos e relaxarmos juntas. As caminhadas, a cachoeira e até a comida vegetariana”, relata.

Animação e programas femininos em tempo integral

A coach e mediadora de conflitos Suely Buriasco, 52 anos, de São Paulo (SP), concorda: a parte mais bacana de viajar entre amigas é a sensação de liberdade e a impressão de se colocar “parênteses” na rotina. “É como voltar ao tempo, ser jovem de novo e poder pensar só em si”, ressalta. Ela fez duas viagens de cerca de 20 dias cada para partes diferentes da Europa num grupo de quatro amigas e se recorda com carinho da diversão, dos micos e das risadas.

“Uma vez, uma amiga esqueceu a frasqueira em um banco no aeroporto na Alemanha, quando voltamos tinha um batalhão de polícia fazendo o isolamento e fomos parar todas na delegacia local. Claro que não podíamos olhar umas para as outras, senão cairíamos na risada e, com certeza, ficaríamos encrencadas realmente. Em Praga, o quarto de hotel tinha duas imensas camas de casal. Parecíamos quatro adolescentes em excursão do colégio”, relembra.

Já a jornalista Adriana Souza Franco (à esquerda na foto abaixo), 45 anos, de São Bernardo do Campo (SP), acredita que uma viagem só entre mulheres tem particularidades que valem muito a pena ser exploradas. "É muito gostoso porque temos a oportunidade de fazer programas femininos. Os bate-papos são sobre assuntos em comum, fica uma viagem engraçada, descontraída, um clima diferente de quando se viaja com o marido, por exemplo”, compara.

Ela fez uma viagem com a irmã Debora (acimaà direita), 43 anos, e as amigas dela para Nova York em 2011 e curtiu intensamente cada minuto. “Fomos comer cupcakes na Magnolia Bakery, cenário do seriado Sex and the City. Tiramos muitas fotos e foi um dia bem divertido, com cara de mulherzinha”, afirma.

Adriana, aliás, teve a grata surpresa de estreitar ainda mais o relacionamento com a irmã mais nova, Debora, ao topar uma viagem com as amigas dela. “Eram 24 horas por dia juntas. Ela descobriu, por exemplo, que sou capaz de me adaptar com pessoas diferentes, aceitando opiniões diferentes, coisas que ela achava que eu não seria capaz de fazer sem me estressar.
 A Glaucemara e a Viviane eram amigas da minha irmã e eu conhecia apenas de vista, mas houve uma sintonia muito bacana na viagem. São novas pessoas que nos damos a oportunidade de conhecer”, acredita.

Convivência em excesso pode ser ruim?

Conviver, mesmo que por poucos dias, exige paciência, dedicação e muito jogo de cintura. Para a carioca Clarice, a boa vontade em ceder em alguns momentos é item obrigatório na bagagem, assim como passaporte e cartão de crédito. “Em uma viagem, as pessoas se mostram como são de verdade. As negociações precisam ser constantes e algumas situações são limítrofes. Por isso é essencial viajar com uma amiga íntima. Uma amizade que já é fortalecida tende a se fortalecer ainda mais”, pondera.

Para a engenheira Glaucemara Arnosti, 45 anos, de Santo André (SP), atritos podem acontecer, pois mesmo os grupos mais afinados são compostos por pessoas diferentes. “O importante é lidar com respeito. Procurávamos sempre nos organizar para que as quatro se sentissem confortáveis com o programa”, diz ela, que viajou com as irmãs Adriana e Debora e outra amiga engenheira, Viviane Casareggio Palmieri, 28. “Meu sonho era assistir a um musical da Broadway, então fui com a Viviane, enquanto a Debora e a Adriana preferiram curtir a Times Square à noite. Saiu tudo perfeito para todas!”, observa.

Juliana, a companheira de viagem de Roberta, Nanci e Kalina, aconselha um bom planejamento para evitar perrengues. “Geralmente fazemos uma lista com os lugares que cada uma quer ir e depois montamos o roteiro baseado nisso. Em geral, temos gostos bem parecidos, então fica mais fácil. Mas mesmo quando apenas uma quer ir a um lugar, todas procuram acompanhar, o que torna a viagem muito mais legal. E também acho que a gente se complementa, a Ro (Roberta) e a Nan (Nanci) são mais organizadas e planejam melhor as coisas e eu e a Ka (Kalina) somos mais desorganizadas, mas improvisamos bem”, destaca.

Administrando saudades e vontades

Um dos fatores mais difíceis de administrar é a saudade do parceiro e/ou dos filhos, mas com organização e diálogo, tudo dá certo. “O meu marido não curte viajar, então ele encara a missão de ficar com as crianças de bom grado. E os meninos ficam superbem”, fala Clarissa, mãe de dois garotos de 4 e 8 anos.

“Essa é a parte ruim, porque a saudade vai aumentando com o passar dos dias. Mas é preciso enfrentá-la sem culpa; toda esposa e mãe é também um ser humano e precisa oxigenar a própria vida com momentos assim. E, acredite, a família pode até fazer uma ceninha, mas todos se viram muito bem na nossa ausência”, garante Suely. 

Ela, que deixou os três filhos com o marido para se divertir na Europa com as amigas, avalia que esse é um desafio que vale muito a pena enfrentar. “Uma mãe é sempre uma mulher e precisa pensar em si também”, conclui.

Para onde ir?

Sobre os destinos ideais para visitar com as amigas, todas as entrevistadas para essa reportagem apontaram as grandes metrópoles como uma boa pedida, por oferecerem múltiplos e diversificados pontos turísticos. 

A gastronomia variada e a facilidade para uso de transporte público também foram pontos destacados, mas, segundo a maioria, qualquer lugar pode ser maravilhoso se as amigas estiverem dispostas a se divertir e aproveitar a experiência com toda a energia e vontade que forem capazes.

(Fotos: Arquivos pessoais)